Wednesday, October 24, 2007

CHAMA O XAMÃ


Na montanha, no deserto, no tribunal
chama, chama, chama o xamã
na multidão, no bordel, no bacanal
chama, chama, chama o xamã
no rock, no punk, no carnaval
chama, chama, chama o xamã
no México, na América, em Portugal
chama, chama, chama o xamã
na alegria, na festa, no ritual
chama, chama, chama o xamã
na vida, na morte, na redenção
chama, chama, chama o xamã
e ela vem de azul.

"Padeirinha", 1.4. 2007

Thursday, August 16, 2007

Carlos Drummond de Andrade


O poeta
declina de toda a responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos
e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.

Wednesday, August 8, 2007

LUCIFER

> > LUCIFER> >> > [1]> >






Sinais de fogo> >


vulcões> >


gentes que fogem> >


em fúria> >


outras que caem> >


ao Hades> >


is this the end, beautiful friend,> >


or just the beginning of the new age?> >> >




Devo desposar-te,> >


minha mulher,> >


ó eternidade?> >


ou devo combater,> >


meu comandante?> >> >




quando um homem>


> procura a solidão>


> e regressa á infância> >


que pode esse homem encontrar> >


senão a luz, senão a vingança?> >> >


Quem é esse homem> >


que vem do incêndio> >


da cidade eterna?> >


Quem é esse homem> >


no meio das mulheres>


> e das outras merdas?> >> >


Quem é este> >


que tu queres> >


e volta de madrugada> >


a cair de bêbado> >


atraiçoado> >


a arder no canto> >


a subir no verbo> >


na tua palavra> >>


> Lúcifer> >


anjo de Deus> >


anjo de Bosch> >


anjo deboche> >


rei guerreiro> >


rei querido> >


Hamlet em delírio> >


bruxas> > feitiços> >


o que é que conta isso> >


diante de ti> > homem livre> >


espírito que dança> >


em busca do Graal.> >> >




A. Pedro Ribeiro, 6.4.2007, Braga, Forum.

MAGO


Olhos em fogo


damas no café


olhos em fogo


cruzes que tu és




mago


bandido


artista sem medo


fazes-te ao palco


o mundo a teus pés




olhos em fogo


caídos à mesa


e agora quem és?




o que é que a fêmea


quer de ti


rocker bailarino


cavaleiro das Highlands?




o que é que a besta


quer de ti?


Quem és tu,


Dionisos,


Prior de Sion?




A. Pedro Ribeiro, 6 maio 2007.

Tuesday, August 7, 2007

MANA CALORICA


www.myspace.com/manacalorica

Saturday, July 14, 2007

ARTE E VIDA


MANIFESTO DOS 39

António Pedro Ribeiro

"Desejar a arte como uma Helena a que se tivesse direito". "Para poderem viver, os gregos criaram os deuses. O mesmo instinto que exige arte para a vida, que exige a arte que é o encanto que nos impele a continuar a viver", escreveu o poeta e filósofo Nietzsche ("O Crepúsculo dos Ídolos").
É a arte que justifica a vida, mas não a arte ao serviço do poder, das OPAS do Berardo, não a arte transformada em mercadoria. Falamos da arte enquanto criação, do artista enquanto mago, enquanto visionário, enquanto poeta. "A música é a tua amiga única", cantou Jim Morrison. A arte implica uma ruptura com o capitalismo, com o mercantilismo, com o racionalismo. "Só é poeta o homem que possui a faculdade de ver os seres espirituais que vivem e brincam em torno dele", acrescenta Nietzsche. O artista-criador tem visões, iluminações. Como vive na sociedade capitalista tem a tarefa dolorosa de ir contra a parede, de afastar a ideologia dominante que nos impinge as leis do mercado, do tédio, do governo, dos partidos, do poder, do salve-se quem puder. O artista tem de andar à deriva, de caminhar sem direcção determinada, como dizem os situacionistas. Esse caminho tem um preço: a solidão. Mas como escreveu Nietzsche, "os grandes homens estão condenados à solidão". E Léo Ferré acrescenta: "o artista aprende a sua profissão no inferno".
A linguagem do poeta-mago nada pode ter a ver com a eficácia, com a com a competição, com a competividade mas sim com a liberdade absoluta, com a "liberdade cor de homem", de que falam os surrealistas. Viver é criar.