Saturday, August 9, 2008

SANGUE DE LOIRA


SANGUE DE LOIRA

A loira a passear a rata pelas mesas
e tu, às compras, em Barcelona
A loira a comer cachorros
e tu nas Ramblas
a dançar sobre o abismo
A loira com o Cristo vermelho
nas mamas
e tu, no vidro, a mamar cervejas.

A. Pedro Ribeiro, in "Café Paraíso", inédito

Thursday, August 7, 2008

SANGUE EM DIRECTO


SANGUE EM DIRECTO

Ao Adolfo Luxúria Canibal

Assalto a banco em Lisboa com reféns
armas apontadas à cabeça
as cãmaras apontadas da televisão

jornalistas patéticos
um balázio nos cornos
a polícia é uma delícia
é a sociedade-espectáculo
aqui a tens
nua e crua
tiros e sangue
gritos
o far west
em directo para a televisão
e tu assistes
vibras
bates palmas
em directo para a televisão

sangue em directo
sangue em directo
sangue em directo

MACEDO E SALMONELAS


CANDIDATURA DO PARTIDO SURREALISTA SITUACIONISTA LIBERTÁRIO À CÂMARA DA PÓVOA



O Partido Surrealista Situacionista Libertário e a Frente Guevarista Libertária decidiram apoiar a candidatura do camarada António Pedro Ribeiro à Câmara da Póvoa de Varzim em solidariedade com os blogues povoaonline e povoaoffline, por considerar que Macedo Vieira e a sua equipa querem instaurar um regime semi-fascista na Póvoa com estátuas de majores fascistas (Major Mota) e com o silenciamento de toda a crítica, além de gestão duvidosa. Por considerar ainda que os partidos institucionais da esquerda à direita fazem o jogo do capitalismo, uns mais, outros menos, o PSSL/FGL apresenta-se em lista própria, anarquista, sem chefes nem controleiros. Porque queremos um mundo sem dinheiro e o céu na terra, agora!



Póvoa de Varzim, 7 de Agosto de 2008,



Com os melhores cumprimentos,

Pelo PSSL/FGL

António Pedro Ribeiro

César Taíbo

Joana Dias

tel. 965045714

http://tripnaarcada.blogspot.com

http://xamachama.blogspot.com

http://partido-surrealista.blogspot.com

www.myspace.com/manacalorica

choras
chupas-me
e mostras-me o amor
choras
curas-me
e mostras-me o amor

Wednesday, August 6, 2008

DA CLÁUDIA SOUSA DIAS NA ÓRGIA LITERÁRIA


Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro, A. Pedro Ribeiro
por Claudia Sousa Dias a 1.8.08
Tendo nascido no Porto, em 1968, A. Pedro Ribeiro vive actualmente em Vila do Conde.



Num acto de protesto contra os valores preconizados pela sociedade de consumo, marcada pelo materialismo e pela superficialidade, o autor decide anunciar a sua candidatura à Presidência da república, em 2005, «para abanar consciências e reclamar lugar para a liberdade mais absoluta» (sic).

Antes da publicação da obra supracitada, em Julho de 2005, A. Pedro Ribeiro tinha também publicado o Manifesto dos 37 o qual se torna emblemático por definir os objectivos e o padrão de escrita de A. Pedro Ribeiro.

«Aos 37 anos José Mário Branco escreveu o FMI. Aos 37 anos apetece-me dizer com os situacionistas que nada queremos de um mundo no qual a garantia de não morrer de fome, se troca pelo risco de morrer de tédio (citando Raoul Vaneigem in A Arte de Viver para a Geração Nova).

«Apetece-me dizer com André Breton que a ideia da Revolução é a melhor e a mais eficaz na salvaguarda do indivíduo (in La Révolution Surrealiste nº 4). Apetece-me estar com a subversão. Com a crítica radical à ditadura do consumível, da mercadoria, do quantitativo, do défice. Apetece-me estar do lado da liberdade, da liberdade absoluta, contra a ilusão da liberdade de compra e venda, da sobrevivência, da “sobrevida” que substitui a vida, do quotidiano insuportável, do tédio.

«Apetece-me estar com os poetas malditos. Com Rimbaud, com Baudelaire, com Nietzsche, com Sade, com Lautréamont, a infernizar tudo quanto é direitinho, conforme as normas, castração.

«(…) Apetece-me dizer que acredito na poesia e no amor, como formas subversivas. Que acredito em actos provocatórios, em agitações espontâneas que ridicularizam o instituído, no terrorismo político. Que a criatividade é o último reduto da rebelião.»

As duas epígrafes, que servem de introdução ao livro, denunciam a orientação do conteúdo, onde é exposta a rapacidade de uma classe detentora do poder para a qual o homem figura apenas um agente de produção:

«Os valores do mercado, a rentabilidade, o lucro, a eficácia dominam por todo o lado e substituem tudo o resto. Orientam as decisões dos governos, dirigem o funcionamento das famílias, impõem-se na escola, reinam nos media. Uma pessoa só será admitida para ocupar um lugar na sociedade se estiver apta a produzir e a comprar.»

Subcomandante Marcos EZLN

E também que:

«Estamos num tempo dos relojoeiros. O imperativo económico converte cada homem num cronómetro vivo, com o sinal distintivo no punho.»

Raoul Vaneigem in A Arte de Viver para a Geração Nova

A provocação inteligente e calculada de A. Pedro Ribeiro que, amiúde, o aproxima da ousadia vulcânica de Mário Cesariny ou da deliciosa e oportuna inconveniência de Luiz Pacheco, está presente em quase todos os poemas da obra, sendo estas características especialmente notórias na "Ode ao sacrifício ou Manifesto Autárquico para a Póvoa de Varzim", onde se destaca um impressionante jogo de ideias, implícitas e explícitas, criado pelo violento contraste entre o discurso judaico-cristão dos primeiros quatro versos a colidir com um discurso frontalmente boémio, nos versos seguintes. Um verdadeiro xadrez de palavras e ideias a formar um autêntico vórtice verbal, cujo ritmo binário acentua o sarcasmo, eternamente presente na voz do Poeta.

A alternância entre o racional e o emocional coloca em evidência a ira de quem enxerga nos detentores de poder o expoente máximo da hipocrisia, de quem pretende fazer passar a mensagem de que se preocupa com as classes mais desfavorecidas, no sentido de conseguir o voto, e cujo verdadeiro rosto se manifesta no cinismo vampírico de quem suga o sangue dos mesmos eleitores – os quais como que formam uma casta à parte – até ficarem exangues, com cintos tão apertados (até ao último furo ou já com furos extras) como os espartilhos usados pelas mulheres até à primeiras décadas do século XX.

Senão vejamos:

O Presidente da República ama-nos
O primeiro-ministro sacrifica-se por nós
Sacrificai-vos vós também
E será vosso o reino dos céus

E continua…

O poeta Ulisses recebe o rendimento mínimo
Paga-me copos
E já não vende poemas nos cafés

…com a voz que denuncia como se calam as vozes dos poetas, com a esmola que lhes sacia o estômago, enquanto que aqueles que não se calam têm de continuar a vender os poemas pelos cafés para não morrer de fome.

O autor prossegue com a voz de trombeta do juízo final ao perseguir o objectivo de derrubar muros e silêncios de conveniências, ao vomitar palavras incómodas e ao acreditar na revelação da contradições de uma sociedade economicista, na qual coexistem fenómenos como o decretar da caça à pornografia na Internet com os lucrativos anúncios de prostituição, consentidos e perfeitamente legalizados na imprensa e na televisão. Em suma, trata-se de colocar a nu a prostituição dos estados e dos media. No lugar da Utopia, onde descrença no futuro prossegue a par da crença na religião da liberdade do Amor e do Prazer.

Pedro Ribeiro, um poeta ainda na semi-obscuridade, mas que já se afigura como o Dionysos da geração dos novos poetas.


por Claudia Sousa Dias

Etiquetas A. Pedro Ribeiro, Crítica

in http://orgialiteraria.com

O AMOR


os amigos dizem que eu só escrevo sobre mim
que eu só vomito poemas sobre mim
que ando com o ego inflamado
os amigos existem
tal como os bêbados e as flores
tal como os fofoqueiros pagos da tarde
tal como o Cristo e o amor
sim, o amor
que eu sinto por ti
o amor que eleva
o amor para lá dos políticos
o amor para lá dos partidos
sim, o amor
essa coisa
que me tira da merda
essa coisa
que queima como o whisky
essa coisa
que desarma
e me despe de vaidades
que vem ter comigo quando choras
que vem ter comigo quando ris
e me dizes para parar de beber
o amor
o amor
essa coisa
essa coisa
essa coisa...