Saturday, August 15, 2009

A MÚSICA FOLEIRA


A música foleira
lá dentro na televisão
a cerveja à minha frente
num fim de tarde de Agosto
a esplanada quase sem ninguém
o velhote que me saúda
também eu estou a envelhecer
mas dizem que mantenho
a aparência jovem
mesmo quando estou
com as barbas compridas
não estou com aquele speed
de Maio e Junho
mas também não estou a morrer
essas noites, como a de sábado,
trazem sempre estórias para contar
do "Gato Vadio" ao "77"
do "77" ao "Big Ben"
sempre a abrir
de garrafola de "Borba" na mão
festa fiesta até às tantas
até ser dia
mesmo que estejamos sós
e até ligeiramente enjoados
é sempre o risco
a aventura
o contrário da rotina
das conversas de sempre
da racionalidade.

Monday, August 10, 2009

Fixe. Estou teso e sem trabalho e as gajas interessam-se por mim. Ficam vidradas com a minha arte e com a minha loucura. Nem sequer olham para os meus bolsos.

GAJA


Afinal sempre há gajas
que vêm ter connosco
no fim do espectáculo
e que quase se atiram
a nós
e que nos fazem elogios
mesmo estando bêbadas
a cena vale a pena
e fica
até fiquei arrependido
de não lhe pedir
o número de telefone
por outro lado,
torna-se difícil
publicar as minhas coisas
a não ser na Corpos,
abençoada Corpos,
e fiquei mesmo
vidrado na gaja.
Regresso aos cafés vazios
onde se vem ler e escrever
está presente
o homem que se dá
com toda a gente
e eu cortei os cabelos
e as barbas
sou outro
apesar de continuar
a ser o mesmo.

Thursday, August 6, 2009

APÓS PAREDES DE COURA


Após Paredes de Coura
após as críticas mordazes do técnico
após a branca dos ciganos
após o gajo maluco e divino
após o poema na Antena 3
estou de regresso à "Cristina"
as senhoras do canto
falam das coisas de sempre
da família, da casa, dos vizinhos
há uma empregada nova
e é bem bonita
nos festivais
já não se bebe
e esta prosa
já fede,

AMORES

Já não há amores como nos livros
já não há amores
como Diotima de Holderlin
o amor agora é todo "fast-food"
o amor agora serve-se rápido
rapidinho
sem compromissos.

Monday, August 3, 2009

À MESA DO PIOLHO


Sento-me à mesa do "Piolho"
à espera que a palavra venha
a palavra custa a vir
não estou naqueles dias gloriosos
mas há que fazer pela vida
o homem que escreve
tem que escrever
é essa a sua missão na Terra
as namoradas mal-dispostas
não saem de casa
há gajas que não querem compromissos
e eu, se calhar, também não
pelo menos não há aqui ciúmes
nem casamentos
que se foda!
Vive e deixa viver
o sr. Martins dialoga com os conhecidos
os empregados rodeiam o balcão
só falta aqui o anão
a puxar pela selecção
os golos passam na televisão
sempre vou a Paredes de Coura
com a Mana Calórica
vamos lá a ver no que dá
meia-hora para provar o que valho
meia-hora de possível glória
para não variar
tenho pouco cacau nos bolsos
o trabalho fode a cabeça às pessoas
por isso é que não trabalho
ou só trabalho naquilo que quero.