Thursday, May 22, 2008


Sem Tempo para Parar e Pensar


A única esperança é o próximo copo.
Se te apetecer, podes passear.
Sem tempo para parar e pensar,
A única esperança é o próximo copo.
É inútil hesitar no limite,
pior que inútil é toda esta conversa.
A única esperança é o próximo copo.
Se te apetecer, podes passear.





Malcolm Lowry, As Cantinas e Outros Poemas do Álcool e do Mar, Lisboa: Assírio&Alvim, tradução de José Agostinho Baptista, 2008, p. 21.

Saturday, May 17, 2008

JIM MORRISON


Poeta Morrison
Terça, 06/11/2007 - 15:53 — Marcelo Souza
3login Poeta Morrison;
Poeta da desordem e do caos;
Poeta dos sentidos naturais e de muitos, além disto;
Poeta da interminável noite de todos os seres que nela habitam;
Poeta dos olhos fechados, mas tão prontos para desvendar os olhos alheios.
Morrison Poeta;
Morrison do poder de fazer-se invisível ou pequeno;
Morrison de chamar os mortos e com eles dançar;
Morrison das novas criaturas e da tentação original;
Morrison das jaquetas de couro de cobra;
Morrison dos celeiros a das carnes de cavalo que ardem;
Morrison de Pamela, Morrison para Pamela e por Pamela;
Morrison de Shamãs, de leões, de lagartos e do Rei destes.
Jim Morrison Poeta de tocar a “canção fantasma” em seu pianinho;
Jim Morrison Poeta de células perdidas e de sorrir para velha amiga morte.
Poeta Jim Morrison de luxuria, romance, palavras, poder e conhecimento para abrir, tantas portas; mais uma porta e ousadia pra atravessá-las todas elas.

Poeta;
Morrison Poeta;
Jim Morrison Poeta que um dia cantou; colocando-se no tempo e no espaço;
Morrison Poeta;
Poeta.

Tuesday, April 22, 2008

Este blog está a fazer um ano.

Sunday, April 13, 2008


"NÃO QUERO MORRER AOS QUARENTA", A. Pedro Ribeiro


No sábado passado, o saloon encheu, isto é, a sala da Sargadelos encheu, para ouvir os “manos” Calórica. A loiça ficou intacta, é certo, mas as palavras do António, foram, como sempre, provocantes. Para mim, o verso mais rebelde foi: “não quero morrer aos 40”. Poderíamos começar logo pelo advérbio de desobediência, “não”, ou pelo “não quero”, mas isso seria ficarmo-nos por uma ínfima parte da interessante frase.

Por um lado, a forma como estamos organizados em sociedade (grosso modo, o sistema capitalista e uma das suas expressões, a sociedade de consumo), sugere que a nossa vida é unicamente emprego, utilidade (“como vamos empregar/ ocupar o nosso tempo?”, “tempo só pode ser dinheiro”). Por outro lado, o sacrifício e a obrigação penosa (talvez de inspiração católica), está latente nalgumas expressões que usamos amiúde, no quotidiano, “tem que estar” ou “tem que ser”, geralmente em resposta a: “tudo bem com o senhor?” ou “vai para o escritório?”.

Certo dia, uma colega confessou-me que trabalhava, simultaneamente, em dois locais, não sabendo o que fazer nos seus dias de folga, angustiantes para si, embora tivesse marido e amigos, com quem poderia passear e divertir-se. E eu achei triste.

Recordo, pelo contrário, com um sorriso, o que disse um amigo meu, quando o questionaram sobre a idade: “Quarenta…”(fez uma breve pausa)”…mas bem vividos”.

Thursday, April 3, 2008

ALMA DE ROCK N' ROLL



ALMA DE ROCK N’ ROLL

Fiquei sem a carteira profissional
Fiquei sem emprego e sem mulher
Fiquei à margem da sociedade
Mas quando ouço o Jim Morrison
Há qualquer coisa que bate dentro
Qualquer coisa que me faz dançar
E então digo: malta, isto não é o fim
Malta, ainda ides ouvir falar de mim

Ando sempre sem dinheiro
A sociedade vê-me como um inútil
Mas quando ouço o Jim Morrison
Volto aos sonhos dos dezoito anos
E há qualquer coisa que arde nas entranhas
Qualquer coisa que mexe com o meu íntimo
Qualquer coisa que queima na veia
E então digo: malta, isto não é o fim
Malta, ainda ides ouvir falar de mim

As depressões fodem-me a cabeça
Fico sem palavras
Mas quando ouço os Led Zeppelin
Há uma coisa na cabeça que se abre
Há uma alma de rock n’ roll
Qualquer coisa que me faz acreditar
E então digo: malta, isto não é o fim
Malta, ainda ides ouvir falar de mim.

Saturday, March 29, 2008


Deslocado no espaço e no tempo. É assim que eu vejo António Pedro Ribeiro, talvez o caso mais sério da sub-cultura vilacondense e o seu mais digno representante. O Pedro sonha com revoluções movidas pelos ideais mais puros ( Che Guevara e Sandino ), e é simpatizante assumido da Insurreição Zapatista. Vê no movimento surrealista de Breton e nos poemas malditos de Rimbaud, Baudelaire e Verlaine o sustento que lhe alimenta a alma, quando muitos sequer os compreendem ou olham com desconfiança.




O Pedro é um cuspidor de palavras. Das suas palavras plenas de raiva que ecoam como bofetadas. Porque este não é o tempo do Pedro... nem o espaço. Vila do Conde é demasiado pequena para a sua poesia e Pedro sabe-o mas não desiste, porque desistir é morrer de tédio.








"Estou apaixonado pelo primeiro-ministro

Quero vê-lo num bacanal

Com todos os ministros

E todos os ministérios

A arfar de prazer

A enrabar o défice, o orçamento

O IVA, a inflação, a recessão

Ágil e empreendedor

Como um super-homem"






in Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro

Edição Objecto Cardíaco







Eu ontem vi Pedro a actuar no pequeno e simpático bar Velvet, numa performance pouco comum e acompanhado por dois excelentes guitarristas (Rui Costa e Henrique Monteiro) que reforçaram as suas palavras com distorções sujas, por vezes melancólicas, um pouco ao estilo arty nova-iorquino das grandes performances em fábricas abandonadas. E eu gostei! Gostei... muito.




Todos deviam andar bêbados por qualquer coisa, afirmou Baudelaire... e assim é António Pedro Ribeiro, bêbado da sua Arte.

SIX in VILA DO CONDE QUASI DIÁRIO.

Saturday, March 22, 2008

O bailado das ancas
com o guarda-chuva
e a outra que lê
o Tio Patinhas.