Thursday, July 31, 2008

BUKOVSKI


encolhendo-me debaixo dos lençóis –/para encarar a luz do sol de novo,/dá nitidamente aflição.//gosto mais da cidade quando as/luzes de néon estão indo e/as mulheres dançam nuas no alto do/bar/a maltratada música.//estou debaixo do lençol/pensando./meus nervos estão travados por/história –/a mais memorável com respeito à humanidade/é da coragem que ela toma/pra olhar a luz do sol de novo.//amor começa pelo encontro de dois estranhos./amor pelo mundo é/impossível. prefiro ficar na cama/e dormir.//atordoado pelos dias e as ruas e os anos/eu puxo os lençóis até o pescoço./viro a b(*)da pra parede./odeio as manhãs mais do que qualquer homem.

Leio Platão
e o bêbado bebe diante de mim

SEXO, NOITADAS & ROCK N' ROLL


"Sexo, Noitadas e Rock n´Roll"
"Emborcar seis cerjevas e cambalear só por causa de uma conversa, de uma gaja e de uma foto do Che. Telefonar-te a dizer que estou vivo e que, finalmente, voltei a devorar um livro, que curiosamente se chama "Memórias de um Alcoólico", de Jack London. Entrar nas conversas e deixar escapar a deixa. Escrever declarações de amor a gajas de gosto duvidoso. Trair-te em Vilar de Mouros ao som dos Led Zeppelin. Estoirar em sonhos alucinatórios a meio de uma existência pacata. Voltar ao computador e à concha do lar familiar. Confundir vozes delirantes com masturbações mentais. Mas há uma foto do Che no quarto a quem apelo contra todas as injustiças, todos os imperialismos, todas as tiranias. Mas há uma foto do Che e a boina, o olhar, a estrela e volto a acreditar que a revolução é possível. Apesar de todas as normas, de todas as rotinas, de todos os filhos da puta."
Pedro Ribeiro apresentou ontem à noite, no Púcaros, mais um volume, revisto e aumentado, da contundente obra "Sexo, Noitadas e Rock n´Roll", da qual tomei a liberdade de extrair o supracitado poema intitulado de "Che". Com o fantasma de Morrison sobre presente, no Porto poetas, boémios e outros inconformados foram reis e heróis, pelo menos por uma noite. Vida longa e inspirada ao "Imperador da Cinco da Manhã" e às edições Pirata...
"A serpente continua à espreita"

Posted by Anastácio Neto at 02:11

Tuesday, July 29, 2008


Estou com pesadelos não consigo dormir estórias de santas que se tornam putas de putas que se tornam santas a cabeça à roda serão alucinações provocadas pelo sol? Agora apetece-me rir loucamente “gritar para além da loucura terrestre” como escreveu Herberto Hélder dar um abraço aos poetas não foi de propósito o amor venceu o ódio e o outro que diz poemas como se estivesse a cagar como se se estivesse a cagar para esta merda toda enlouqueci de vez vou ser internado a testa escorre àgua vomito pela retrete fora perdi o controle como a gaja do Curtis a loucura é uma coisa batida em mim vem ter comigo periodicamente sou o maior poeta desta merda toda deixa-me lá ficar com o ego inflamado sempre é melhor do que andar na merda e a Carlinha à minha espera em Amarante atravessa a ponte rumo ao parque florestal a charrar a ter vibrações e a Gotinha com a vozinha a xonar na Madeira tenho amigas para lá do sexo e sexo para lá das amigas as minhas amigas maradas que me acham piada ando a defender gajos que não merecem ando-me a expor numa época em que ninguém se expõe isso faz-me regressar à infância ando aos berros pelas ruas Gotucha Gotucha estou a enlouquecer de vez nada a fazer não consigo voltar para a cama apesar do comprimido tenho a cabeça fodida por causa dos comprimidos.

RIBEIRO POR AMARAL


a) O António Pedro Ribeiro é um dos segredos mais mal guardados da poesia portuguesa. Isto é verdade entre os frequentadores de cafés e bares do Porto. E a mim interessa-me a verdade.
b) O Ribeiro tem vários livros publicados e, ao contrário do que refere o press release da editora, nenhum deles está esgotado. Pela simples razão de que basta fotocopiar e agrafar os seus poemas para nascer mais um livro do Ribeiro. É assim que os seus livros circulam pelo Porto, Braga ou Vila do Conde. De mão em mão, fotocopiados, agrafados, colados, rasgados, etc. Com capas recicladas e recicladas de novo. E essa é também a razão pela qual ninguém sabe quantos livros publicou o Ribeiro. Nem o próprio Ribeiro.
c) O Ribeiro é um dos autores que leio com mais prazer. E é meu amigo. Por isso, todos os meus livros do Ribeiro estão autografados e têm dedicatórias.
d) Como todo o mau patriota que se preze, o Ribeiro também tem um blogue.
e) Enfim, todos nós, os leitores do Ribeiro, sabíamos que mais cedo ou mais tarde isto iria acontecer. Que era apenas uma questão de tempo. Agora, vai ser mais fácil encontrar o Ribeiro nas livrarias do que nos cafés. E isso é bom. E isso é mau.
f) O livro do Ribeiro é editado pela nova editora "Objecto Cardíaco", do Valter Hugo Mãe. E o grafismo, quanto a mim, é irrepreensível.
y) O próximo número da revista "aguasfurtadas" (número 9) incluirá poemas mais ou menos inéditos do Ribeiro.
z) "Ribeiro" em alemão escreve-se "Bach".
publicado por Rui Manuel Amaral às 8:30 AM 5 comentários

RIMBAUD


ARTHUR RIMBAUD

(...)
Agora, mergulho na maior devassidão possível. Porquê? Quero ser poeta e trabalho para me tornar visionário: vós não compreendeis nada e eu não sei se saberei explicar-vos. Trata-se de atingir o desconhecido através do desregramento de todos os sentidos. Os sofrimentos são enormes mas é preciso ser-se forte, ter nascido poeta, e eu reconheci-me poeta. Não é de modo algum culpa minha. É falso dizer-se: eu penso. Deveria dizer- se: sou pensado. - Desculpe o trocadilho. -
Eu é um outro. Tanto pior para a madeira que se descobre violino e zomba dos inconscientes que discreteiam sobre aquilo que pura e simplesmente ignoram. Não sois Mestre para mim. Dou-vos isto: será uma sátira como vós diríeis? É poesia? Fantasia, é-o sempre. - Mas, suplico-vos, não a sublinheis com o lápis nem - demasiado - com o pensamento:

Coração Supliciado
(..................................)

Isto não quer dizer nada. - RESPONDA-ME: para casa do sr. Deverrière, para A. R.
Saúdo-o, de todo o coração,
Art. Rimbaud

(excerto de uma carta dirigida a Georges Izambard, em Maio de 1871, quando tinha 17 anos - tradução de Ângelo Novo, Cartas do Visionário, Fora do Texto, 1995)

Sunday, July 27, 2008

FADA MORGANA


Morgana representa na lenda arturiana, a figura de uma Deusa Tríplice da morte, da ressurreição e do nascimento, incorporando uma jovem e bela donzela, uma vigorosa mãe criadora ou uma bruxa portadora da morte. Sua comunidade consta de um total de nove sacerdotisas (Gliten, Tyrone, Mazoe, Glitonea, Cliten, Thitis, Thetis, Moronoe e Morgana) que, nos tempos romanos, habitavam uma ilha diante das costas da Bretanha. Falam também das nove donzelas que, no submundo galês, vigiam o caldeirão que Artur procura, como pressagiando a procura do Santo Graal. Morgana faz seu debut literário no poema de Godofredo de Monntouth intitulado "Vita Merlini", como feiticeira benigna.



Mas sob a pressão religiosa, os autores a convertem em uma irmã bastarda do rei, ambígua, freqüentemente maliciosa, tutelada por Merlim, perturbadora e fonte de problemas.





Nenhum personagem feminino foi tão confusamente descrito e distorcido como Morgana ou Morgan Le Fay. A tradição cristã a apresenta como uma bruxa perversa que seduz seu irmão mais novo, Artur, e dele concebe o filho. Entretanto, nesta época, em outras tribos celtas, como em muitas outras culturas, o sangue real não se misturava e era muito comum casarem irmãos, sem que isso acarretasse o estigma do incesto.







Morgana e Artur tiveram um filho fruto de um Matrimônio Sagrado entre a Deusa (Morgana encarna como Sacerdotisa) e o futuro rei.

O "Matrimônio Sagrado" era um ritual, no qual a vida sexual da mulher era dedicada à própria Deusa através de um ato de prostituição executado no templo. Essas práticas parecem, sob o ponto de vista da nossa experiência puritana, meramente licenciosas. Mas não podemos ignorar que elas faziam parte de uma religião, ou seja, eram um meio de adaptação ao reino interior ou espiritual.







Práticas religiosas são baseadas em uma necessidade psicológica. A necessidade interior ou espiritual era aqui projetada no mundo concreto e encontrada através de um ato simbólico Se os rituais de prostituição sagrada fossem examinados sob essa luz, torna-se evidente que todas as mulheres devessem, uma vez na vida, dar-se não a um homem em particular, mas à Deusa, a seu próprio instinto, ao princípio Eros que nela existia.



Para a mulher, o significado da experiência devia residir na sua submissão ao instinto, não importando que forma a experiência lhe acontecesse. Depois de passar por essa iniciação, os elementos de desejo e de posse ficam para trás, transmutados através da apreciação de que sua sexualidade e instinto são expressões de força de vida divina cuja experiência no plano humano.



A nível transpessoal, o "matrimônio sagrado" envolve o mistério da transformação do físico para o espiritual, e vice-versa. Cada pessoa conecta-se com o universo como se fosse célula única no organismo do campo planetário da consciência. A partir da união do humano com o divino, a "Criança Divina" nasce. A "Criança Divina" é a vida nova, vida com nova compreensão, vida portadora de visão iluminante para o mundo.







QUEM ERA MORGANA?







Como muitos indivíduos legendários e românticos, há versões conflitantes sobre quem o que foi Morgana. O historiador e cronista do século XII, Geoffroi de Monmouth, escreveu que "sua beleza era muito maior do que a de suas nove irmãs. Seu nome é Morgana e ela aprendeu a usar todas as plantas para curar as doenças do corpo. Ela também conhece a arte de mudar de forma, de voar pelo ar...ela ensinou astrologia às irmãs."



Relatos antigos contam-nos que ela era uma Velha Deusa da Sabedoria, a Senhora e Rainha de Avalon, a Alta Sacerdotisa da Antiga Religião Celta. Aprendeu magia e astronomia com Merlim. Alguns achavam que ela era uma "fada arrogante", pois era símbolo de rebeldia feminina contra a autoridade masculina. Quando zangada, era difícil agradar ou aplacar Morgana; outras vezes, podia ser doce, gentil a afável. Também era descrita como "a mulher mais quente e sensual de toda a Grã-Bretanha."



Morgana era um enigma aos seus adversários políticos e religiosos. Os escrivões cristãos transformaram-na em demônio, talvez devido ao seu papel como sacerdotisa de uma Antiga Religião, que eles estavam tentando desacreditar nas suas investidas para cristianizar a estrutura de poder da Grã-Bretanha. Ela, entretanto, defendeu valentemente a fé das Fadas e as práticas dos druidas, achando entre os camponeses simples seus mais fiéis seguidores. Ela negou as acusações de prostituição dos monges e missionários cristãos.







É Morgana, que depois da batalha final, ampara o irmão ferido de morte e o cuida com o zelo de uma mãe e consoladora espiritual.



O cristianismo menospreza o poder e o conhecimento de Morgana, do mesmo modo com que impediu a mulher à ascender ao sacerdócio, anulando completamente o seu poder pessoal.





Layamon, autor de um poema narrativo inglês é o primeiro a descrever como a mulher levou Artur pelas águas e não simplesmente recebendo-o na sua chegada.







Morgana é a fada mais bela das que habitam Avalon. Não existem fundamentos suficientes para se acreditar que Avalon seja o lugar que a cultura celta atribuí como residência dos mortos. O que se sabe é que quando Artur é transportado sobre as águas em companhia das mulheres com destino a Avalon, se perde no horizonte do mito imemorial.



Este é o pano de fundo sobre o qual se desenvolvem as diferentes lendas relativas à partida e imortalidade de Artur, que supostamente continua vivo dentro de uma caverna ou em uma ilha. Estas mulheres que acolheram Artur pertencem ao mundo das fadas, que provavelmente foi antes um mundo de deusas.







Segundo Robert Graves e Kathy Jones, a Morg-Ana "surgiu da união das estrelas com o ventre de Ana". Muitas vezes foi equiparada as Deusas Morrigan e Macha, que presidiam as artes da guerra. Entretanto, como fada controlava o destino e conhecia as pessoas.



Famosa por seus poderes de cura, seu conhecimento de plantas medicinais e sua visão profética, era uma xamã capaz de alterara a sua forma, tomando o aspecto de diferentes animais para utilizar seu poder.





DEUSA-MÃE PRIMITIVA



Em "Estoire de Merlin", temos uma descrição bastante detalhada de Morgana, indicando seu verdadeiro caráter e também os estreitos vínculos que estabelece com a Deusa Mãe primitiva:



"Era a irmã do rei Arthur. Era muito alegre e jovial, e cantava de forma muito agradável; seu rosto era moreno, mas bem metida em carnes, nem demasiadamente gorda nem demasiadamente magra, de belas mãos, de ombros perfeitos, a pele mais suave que a seda, de maneiras afáveis, alta esguia de corpo, em resumo, sedutora até o milagre; a mulher mais cálida e mais luxuriosa de toda a Grã Bretanha. Merlim havia lhe ensinado astronomia e muitas outras coisas, e havia se aplicado ao máximo, de maneira que havia se convertido em uma boa sacerdotisa, que mais tarde recebeu o nome de Morgana a Fada, em virtude das maravilhas que realizou. Se explicava com uma doçura e uma suavidade deliciosas, e era melhor e mais atrativa que tudo no mundo, embora tivesse sangue frio. Porém quando queria alguém, era difícil acalmá-la..."



Esse é decididamente o retrato da Deusa Mãe primitiva, com toda sua ambigüidade, as vezes boa, outras nem tanto, "cálida e luxuriosa", como a Grande Deusa oriental e, "virgem", pois não se submete à autoridade masculina. Observemos também que Merlim ensinou-lhe magia do mesmo modo com que fez com Viviana, a Dama do Lago.



Outras versões da história do Merlim, versões hoje perdidas, porém cujo rastro encontramos na célebre obra do século XV devido a Thomas Malory, "La muerte de Arturo", vasta compilação dos relatos da Távola Redonda, outras versões levam a pensar que Merlim foi amante de Morgana antes de sê-lo de Viviana.