Tuesday, October 20, 2009

CARTAS DE HENRY MILLER A ANAIS NIN


Não serve a palavra para ser guardada em tábuas de pedra nem para ser aprisionada dentro da capa de um livro. A palavra é luz e a verdade torna-se carne. É incorruptível. A procura da imortalidade através da arte mais não é do que o reconhecimento dos poderes da morte. (...) O maior livro que algum dia se escreveu mal consegue dar realidade a um fragmento mínimo da real emoção do artista.

Os mesmos obstáculos que se põem à escrita são os que se põem à vida. A razão porque é mau usar a vontade é a mesma porque não se deve forçar a escrita. A harmonia que permite o acto livre é a mesma que dá ao escrever a fluidez e a liberdade.

É a condição habitual do escritor: dá corda a si próprio e deixa-se ir por aí fora.

(O artista) deveria manter sempre o seu génio em funcionamento. Não deveria, nos intervalos, transformar-se em idiota, como acontece com muitos de nós.

A última coisa que passa pela cabeça dos artistas é interrogarem-se sobre a razão daquilo que fazem: Porque é que escrevo? Haverá uma necessidade profunda de o escrever? Servirá para alguma coisa, trará algum proveito? Trará alguma alegria?

1 comment:

Eu e a solidão said...

Olá, desculpe a minha ignorância, mas gostaria de saber se este livro foi lançado somente em Portugal pois moro no Brasil e não conhecia o mesmo, já o procurei e não o encontrei você sabe algo a respeito?

Obrigada!