Friday, December 28, 2007

GOTUCHA

Faz hoje 15 anos que nos conhecemos.

Thursday, December 27, 2007

UM POETA A MIJAR NO REAL FEYTORIA


"UM POETA A MIJAR" NO REAL FEYTORIA

O livro "Um Poeta a Mijar" (Corpos Editora) de A. Pedro Ribeiro foi lançado no passado dia 21 no bar Real Feytoria no Porto. O evento contou com a presença do autor e incluiu uma performance poético-musical, intitulada "Voyeur", do editor da Corpos, Ex-Ricardo de Pinho Teixeira, acompanhado pelos músicos Cristina Bacelar, Ironic Salazar e Pedro Romualdo.
"Um Poeta a Mijar" sucede a "Saloon" (Edições Mortas, Março de 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, Grémio Lusíada, Braga, 1988). "Um Poeta a Mijar" situa-se entre o Dada, o surrealismo e o beatnick, entre o místico e o maldito, entre a solidão e o quotidiano, entre o sexo e a noite, entre o palco e a loucura. "Um Poeta a Mijar" é o poeta, algo punk, algo niilista, que mija nas instituições e no estabelecido, na Igreja e no Estado, que já deixou de acreditar nos faróis, nas sociedades ideais e alternativas, nos partidos, na moral. É também o rocker que deambula pela cidade, pelos bares, pelos cafés e que sobe ao palco em busca do Graal, de Jim Morrison, de Dionisos, de Nietzsche, do Espírito Livre. Inclui poemas como "Futebol-Dada", "Borboletas", "Mamas 2", "A Ilíada no Velvet", "A Loucura", "Dá-me Uma Mulher", "Lúcifer", "Ode a Jim Morrison", "Dyonisos The King", "The King is Not Dead", "Satã Comeu a Cortesã", "Papa-Dada", "Entre a Merda e o Ouro", "Maldoror, Meu Amor", "Prior de Sion" e "Sapataria Tony".
A. Pedro Ribeiro ou António Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968. Viveu em Braga, Trofa e Porto e actualmente reside em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). É fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e vocalista das bandas Mana Calórica e Las Tequillas. Diz regularmente poesia há 20 anos, tendo actuado em Agosto de 2006 no Festival de Paredes de Coura ao lado de Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta) e em Setembro de 2007 no Festival de Poesia do Condado em Salvaterra do Minho. Em 2004 e 2005 alguns orgãos de comunicação social noticiaram uma candidatura sua à Presidência da República pela Frente Guevarista Libertária e pelo Partido Surrealista Situacionista Libertário.

Monday, December 24, 2007

MANIFESTO ANTI-DANTAS


O meu feliz Natal existiria se meia dúzia de inconformistas se juntassem, saudando o nascer de novo, nem que fosse para a emissão de uma sonora gargalhada ao ritmo do tal manifesto anti-Dantas:

Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos!


É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!


Abaixo a geração!Morra o Dantas, morra! PIM!


Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!


Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!


O Dantas é um cigano!

O Dantas é meio cigano!



O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias para cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!


O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquesas!


O Dantas é um habilidoso!


O Dantas veste-se mal!


O Dantas usa ceroulas de malha!


Não é preciso ir pró Rossio para se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!


Não é preciso disfarçar-se para se ser salteador, basta escrever como o Dantas!


Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos!


Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões!


Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos!



O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!




ODantas é um autómato que deita para fora o que a gente já sabe o que vai sair… Mas é preciso deitar dinheiro!


O Dantas é um soneto dele próprio!


O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.


Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!


O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!


O Dantas é a meta da decadência mental!


E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!


E ainda há quem lhe estenda a mão!


E quem lhe lave a roupa!


E quem tenha dó do Dantas!


E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!



E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.


E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.


Mas julgais que nisto se resume literatura portuguesa?


Não Mil vezes não!


Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo!


O país mais selvagem de todas as Áfricas!

O exílio dos degradados e dos indiferentes!

A África reclusa dos europeus!

O entulho das desvantagens e dos sobejos!


Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!


Morra o Dantas, morra! PIM!


José de Almada Negreiros


Poeta d’Orpheu


Futurista


E Tudo

ANJOS


"Os filhos do verdadeiro Deus começaram a notar as filhas dos homens, que elas eram bem-parecidas, e foram tomar para si esposas, a saber, todas as que escolheram."
(Génesis, 6:2)

Os anjos assumiram corpos carnais e vieram à Terra para ter relações sexuais com belas mulheres. A quem mais conseguiu Satanás fazer rebelar-se contra Deus?

CÂNTICO A NIETZSCHE


CÂNTICO A NIETZSCHE

Não peças!
Nunca mais peças!
Não fales. Canta! Dança!
Ri-te na cara dos imbecis
na cara dos bancos
das multinacionais
dos senhores do dinheiro
ri-te na cara de todos
os que te votam ao desprezo
ri-te loucamente demoradamente
dança! Canta! Voa!
Meu mago doido, meu poeta!

Ri-te cinicamente sarcasticamente
na cara dos patetas
dos Estados
dos governos
dos moedeiros
ri-te longamente satanicamente
na cara de Deus
na cara do dinheiro
esborracha-lhes a cara no chão
ri-te até que caiam
até que fiquem sem nada
ri-te até ao fim
e deixa-os tremer
ri-te
e deixa-os gemer de medo, sida, frio
fá-los sentir completamente na merda
fá-los sentir
o que os teus companheiros e tu próprio
já passaram
ri-te loucamente demoradamente
e dança
dança na cara deles
dança loucamente
dança até ao fim
e fá-los cair
meu rei, meu único rei,
my king, my only king,
meu mago doido, meu poeta.

Vilar do Pinheiro/Braga, 22/23.12.2007.

Thursday, December 20, 2007

ALEXANDRE O'NEILL

Fala


Fala a sério e fala no gozo
Fá-la pela calada e fala claro
Fala deveras saboroso
Fala barato e fala caro
Fala ao ouvido fala ao coração
Falinhas mansas ou palavrão
Fala à miúda mas fá-la bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe
Fala francês fala béu béu
Fala fininho e fala grosso
Desentulha a garganta levanta o pescoço

Fala como se falar fosse andar
Fala com elegância muito e devagar.

Alexandre O'Neill

in http://porosidade-eterea.blogspot.com

Tuesday, December 18, 2007

VENHO AO CAFÉ-4


Venho ao café
os carros deslizam à chuva
o vizinho saúda-me energicamente
a noite cai

Venho ao café
as pessoas conversam
a criança ri
o rádio passa música

Venho ao café
e não sou feliz.

Wednesday, December 12, 2007

DOM QUIXOTE



Dos Líquidos

Devo dizer com orgulho que ja tive este poeta a dormir (e ressonar) na minha sala (sim, sala) depois de uma magnifica discussão politica, terminada com uma francesinha no Café novo, e que tivemos até de chamar a policia porque esta senhora que vos escreve esqueceu-se das chaves dentro de casa.
O A. Pedro dizia - calma, calma. Devia ser dos efeitos do molho picante das francesinhas...Este poema deu um grande salto, Pedro. Parabéns.


"Um Poeta a Mijar" é o título do novo livro de A. Pedro Ribeiro, publicado pela Corpos Editora. O livro vai ser lançado dia 21 de Dezembro, sexta, pelas 22, 30 horas no bar Real Feytoria, no Porto (à Ribeira). "Um Poeta a Mijar" situa-se entre o surrealismo, o dadá e o beatnick, entre a mulher e os bares, entre o palco e a loucura. "Um Poeta a Mijar" sucede a "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (2001) e a "Gritos. Murmúrios" (1988).


BORBOLETAS


PEDRO RIBEIRO + FERNANDA PEREIRA


Borboletas na Internet disquete cassete sai e mete na Rosete que nos submete e promete ceias de Natal à entrada do centro comercial à saída do Telejornal cacetete tête-à-tête confidencial dá-me a tua morada a tua namorada o teu portal envia-me um postal uma queca no matagal uma mulher fatal e diz aos putos para parar com o cagaçal não me trates mal não me ponhas mole, ó Amaral.
Chiclete na net orgia na retrete revista coquete croquetes amor de trotinete atómica supersónica harmónica filarmónica filantrópica psicotrópica Mónica, volta aos meus braços aos meus cansaços aos meus bagaços aos meus palhaços em pedaços laços estilhaços calhamaços caracóis duquesa de Góis rouxinóis prato de rissóis cachecóis em Cascais aos casais jornais informais ais aias saias sais minerais saque no cais de embarque um traque no Iraque tic-tac xeque-mate Camarate serrote garrote pote pichote Senhora do Ó tende piedade do Tó que anda metido no pó Aniki-bobó às quartas-feiras dentro das eiras dentro das freiras dentro das frieiras na àgua das torneiras no universo dos Pereiras das colmeias e das onomatopeias ah já dá cá cara de amenduá meu xará vem cá saravá em Dakar junto ao mar
recomeçar dar as cartas cavalgar inventar assassinar penar pinar reinar alcatroar albatroz fêmea feroz fêmea atroz fêmea atrás fêmea com gás que leva e traz prazeres em ruínas suíças preguiças tesão que não sobe mulher que fode mulher que pede e escraviza e sodomiza Torre de Pisa rio Tamisa camisa falsa alça alce alface vegetal tribunal Cabral ao comité central ministros no bacanal com o teu soutien acampado na Lousã no comício do Louçã na casca da maçã a anciã masturba-se turva-se lava-se conserva-se foda-se! Latas de sardinhas minhas campainhas picuinhas lingrinhas xoninhas xanax pentax de alcoolemia cloreto de Eufémia mezinhas da Roménia Ofélia à janela Hamlet dentro dela omelete de cabidela cidadela sitiada aguarela sentinela ao relento rebento em movimento sedento sebento sardento sargento lá dentro whisky alento talento.

http://tratadodebotanica.blogspot.com

Fonte: http://tripnaarcada.blogspot.com/2007/12/obrigado-joana.html

in http://domquixote.blogtok.com

Saturday, December 1, 2007

TRIP NA ARCADA E PARTIDO SURREALISTA

Este blogue está quase paralisado. Recomenda-se http://tripnaarcada.blogspot.com ou http://partido-surrealista.blogspot.com.

LUZ


Luz! Luz! Faça-se luz!

Possuído por um deus
celebro festins interiores

Luz! luz! Faça-se luz!

Em busca de iluminações
atiro-me contra as paredes

Luz! Luz!

Pedaços de mim
esvoaçam sublimes

Luz! Luz!

Meu canto doido
para lá dos homens!

Luz! Luz!

Para lá das montanhas
para lá das cidades!

Luz! Luz!

À mesa do café
percorro eternidades

Luz! Luz!

Ao poeta das trevas
ao vagabundo das eras!

Luz! Luz!

Dá-me vinhos, licores
mostra-me a saída!

Luz! Luz!

Ilha dos amores,
minha rainha!

Luz! Luz!
Meu canto doido

e um deus
que dança
a meus pés.

A. Pedro Ribeiro, Motina/Clássico Real, 1.12.2007.

Wednesday, October 24, 2007

CHAMA O XAMÃ


Na montanha, no deserto, no tribunal
chama, chama, chama o xamã
na multidão, no bordel, no bacanal
chama, chama, chama o xamã
no rock, no punk, no carnaval
chama, chama, chama o xamã
no México, na América, em Portugal
chama, chama, chama o xamã
na alegria, na festa, no ritual
chama, chama, chama o xamã
na vida, na morte, na redenção
chama, chama, chama o xamã
e ela vem de azul.

"Padeirinha", 1.4. 2007

Thursday, August 16, 2007

Carlos Drummond de Andrade


O poeta
declina de toda a responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos
e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.

Wednesday, August 8, 2007

LUCIFER

> > LUCIFER> >> > [1]> >






Sinais de fogo> >


vulcões> >


gentes que fogem> >


em fúria> >


outras que caem> >


ao Hades> >


is this the end, beautiful friend,> >


or just the beginning of the new age?> >> >




Devo desposar-te,> >


minha mulher,> >


ó eternidade?> >


ou devo combater,> >


meu comandante?> >> >




quando um homem>


> procura a solidão>


> e regressa á infância> >


que pode esse homem encontrar> >


senão a luz, senão a vingança?> >> >


Quem é esse homem> >


que vem do incêndio> >


da cidade eterna?> >


Quem é esse homem> >


no meio das mulheres>


> e das outras merdas?> >> >


Quem é este> >


que tu queres> >


e volta de madrugada> >


a cair de bêbado> >


atraiçoado> >


a arder no canto> >


a subir no verbo> >


na tua palavra> >>


> Lúcifer> >


anjo de Deus> >


anjo de Bosch> >


anjo deboche> >


rei guerreiro> >


rei querido> >


Hamlet em delírio> >


bruxas> > feitiços> >


o que é que conta isso> >


diante de ti> > homem livre> >


espírito que dança> >


em busca do Graal.> >> >




A. Pedro Ribeiro, 6.4.2007, Braga, Forum.

MAGO


Olhos em fogo


damas no café


olhos em fogo


cruzes que tu és




mago


bandido


artista sem medo


fazes-te ao palco


o mundo a teus pés




olhos em fogo


caídos à mesa


e agora quem és?




o que é que a fêmea


quer de ti


rocker bailarino


cavaleiro das Highlands?




o que é que a besta


quer de ti?


Quem és tu,


Dionisos,


Prior de Sion?




A. Pedro Ribeiro, 6 maio 2007.

Tuesday, August 7, 2007

MANA CALORICA


www.myspace.com/manacalorica

Saturday, July 14, 2007

ARTE E VIDA


MANIFESTO DOS 39

António Pedro Ribeiro

"Desejar a arte como uma Helena a que se tivesse direito". "Para poderem viver, os gregos criaram os deuses. O mesmo instinto que exige arte para a vida, que exige a arte que é o encanto que nos impele a continuar a viver", escreveu o poeta e filósofo Nietzsche ("O Crepúsculo dos Ídolos").
É a arte que justifica a vida, mas não a arte ao serviço do poder, das OPAS do Berardo, não a arte transformada em mercadoria. Falamos da arte enquanto criação, do artista enquanto mago, enquanto visionário, enquanto poeta. "A música é a tua amiga única", cantou Jim Morrison. A arte implica uma ruptura com o capitalismo, com o mercantilismo, com o racionalismo. "Só é poeta o homem que possui a faculdade de ver os seres espirituais que vivem e brincam em torno dele", acrescenta Nietzsche. O artista-criador tem visões, iluminações. Como vive na sociedade capitalista tem a tarefa dolorosa de ir contra a parede, de afastar a ideologia dominante que nos impinge as leis do mercado, do tédio, do governo, dos partidos, do poder, do salve-se quem puder. O artista tem de andar à deriva, de caminhar sem direcção determinada, como dizem os situacionistas. Esse caminho tem um preço: a solidão. Mas como escreveu Nietzsche, "os grandes homens estão condenados à solidão". E Léo Ferré acrescenta: "o artista aprende a sua profissão no inferno".
A linguagem do poeta-mago nada pode ter a ver com a eficácia, com a com a competição, com a competividade mas sim com a liberdade absoluta, com a "liberdade cor de homem", de que falam os surrealistas. Viver é criar.

Wednesday, June 20, 2007

RED ROSES


É só amor

e sempre a dor

é só amor

e a dor vem sempre

é só amor

e vem a cor

é só amor

e bate o coração

alma dança prisão

é só amor

e ela fera até à dor

é só amor

e ela vem

vermelha e azul.

Monday, June 11, 2007

O XAMÃ


O xamã, esse grande iniciado, manipula a chama do conhecimento, as àguas da grande deusa, os ventos da revolta, as sementes do novo mundo.

Então, calça as sandálias e atravessa o deserto, um percurso de 7 dias e 7 noites.


(ABDUL AFFI)

Thursday, June 7, 2007

PUTAS E ROCK N' ROLL


Mulheres de mim
até ao último copo
cair sair
sem mácula
em carne e osso
És o poeta
o gajo sem cheta
gramas as putas
falas com elas
amigo no palco
até acabar
és o poema
no meio do mar
Mulheres feias
mulheres sem rosto
andas roto
mas és o maior
putas rock n' roll
sempre a abrir
até ao sol se vir
na cara do totem
do homem que vem
dizer a palavra
cantautor
FMI Brigadas Vermelhas
é o homem que cai
e lança a chama na dança
como o Curtis
toujours, jamais
Deixa-o ir
deixa-o cair
ou então resistir
quero se foda
essa treta de merda
do poeta asceta
sem cheta agora
mas coberto de ouro amanhã
nos braços de Satã
do anjo que te ama
maria joana
dá-ma dá-ma dá-ma
Sou o filme e a canção
o caos no caos a rebelião
dás-me trunfos
e eu dou-te copas
gajas boas
já não me enganas
acendes o cigarro
e eu dentro delas
quebra o ritmo
as tarolas
poeta princípe
no sexo húmido delas
marco o ritmo
apanho pielas
É só camelos
e tu gostas delas
e só caramelos
e tu a vê-las
eu sou finito
mas tu não me levas
sou o infinito
estou para lá das eras...

Porto, BIG BEN, 18.2.2007

Monday, June 4, 2007

SEM CONTROLE


Quando estás sem controle

dás telemóveis às putas

ofereces as tragédias gregas

a desconhecidas

gritas por Satã na avenida


Quando estás sem controle

os polícias ameaçam-te de porrada

bebesbebes

e não queres saber de nada

quando estás sem controle

a vida é uma merda

e o teu reino não é aqui


quando estás sem controle

ofereces poemas inéditos

exemplares únicos

e perdes a namorada.












Wednesday, May 30, 2007

RUIVA

Ruiva
sentada à mesa
acaricias a criança
o quanto te amo
o quanto te desejo
ao telemóvel
acaricias a criança
ternuras tantas
ao fundo
do riso
da gargalhada
linda
acaricias a criança
minha deusa
não sei de onde vens
de Roma talvez
como Augusto
e até sempre

acaricias a criança
que ri
sob a coroa de César
ris
de brincos
e acaricias
a criança...

A. Pedro Ribeiro

Monday, May 28, 2007

SALÃO ERÓTICO


SALÃO ERÓTICO JÁ MEXE!O III SIEL (Salão Internacional Erótico de Lisboa) já mexe, apesar de só começar a 21 de Junho, no pavilhão 4 da FIL, no Parque das Nações. A apresentação decorreu no Hotel Altis Park e revolucionou toda a zona das Olaias.O Ganda Ordinarice não podia faltar. E já começou a postar as novidades.O nosso grande amigo Gimba é o porta-voz do Salão. Falou bem e mostrou o seu novo "look" tropical. Sá Leão voltou a filmar e agora está numa de "filmar por encomenda". Os casais pedem-lhe, Sá Leão vai ao domicílio.Este ano o Salão vai ter uma zona em que se rodam filmes XXX e o público pode assistir, dar uma ideias para a rodagem e ver a coisa toda "por dentro", salvo seja. Também vai haver reuniões estilo Tupperware, mas com adereços sexuais. É o conceito "Mala D'Eros", apresentado pela boutique erótica Casa D'Eros, directamente oriunda da Rua da Firmeza, no Porto.A acrobata vaginal, Sonia Baby, é presença que se irá repetir em Lisboa. Tal como Cicciolina, que no dia 19 de Junho chega à capital do reino para encontros com a Comunicação Social.Já sabem, a partir de agora e até finais de Junho... é sempre a dar-lhe no Ganda Ordinarice!Dick Hardhttp://www.gandaordinarice.blogspot.com

Wednesday, May 23, 2007

Sunday, May 20, 2007

Tuesday, May 15, 2007

REBEL, REBEL



From :
Nuno Miguel Luzio
Reply-To :
mao-morta@yahoogroups.com
Sent :
Tuesday, May 15, 2007 2:01 PM
To :
mao-morta@yahoogroups.com
Subject :
Re: [mao-morta] Maldoror is dead dead dead






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(Monstrum in fronte, monstrum in animo. Process, Process, slum full of fun) Beausoleil, soleil soleil soleil soleil Beausoleil, reaping Nirvana in a desert land Beausoleil, Thine anger rising like a scorpion Beausoleil, dune buggy baby on a fairground slide Beausoleil, the taste of honey and the swirl of flies Beausoleil, jackbooting wide-eyed in the widest pit Beausoleil, looking at smiles and seeing nly grins Beausoleil, did dead gods smell when the dog's blood rose Beausoleil, now all Thine summers turn to menstrual winters Beausoleil, kill kill kill kill kill kill kill kill killy kill Beausoleil, did dog's blood rise when the dead gods died Beausoleil, beautiful sunshine whose shadow hides Beausoleil, white brothers planting burning crosses Beausoleil, the sharpest flavour is the one that stains Beausoleil, when dog's blood rises does it also dance Beausoleil, grey benediction of the Final Church Beausoleil, it's just your habit of culling time Beausoleil, a Death In June under a menstrual moon Beausoleil, Scorpio Rising but the Light Bearer falls Beausoleil, the squeaky laughter of a giddy world Beausoleil, still waving black flags from a stubble field Beausoleil, a maltese cross is pierced by the Blood of Christ Beausoleil, hiding from cancer crabs and cracking jokes Beausoleil, arson archbishop makes the deserts burn Beausoleil, the dead are grateful -- all you need is love Beausoleil, fat Buddhas smiling with the widest grin Beausoleil, candy floss surgeon with the golden hair Beausoleil, a brand new Process for a brand new age Beausoleil, a black Messiah wearing buckskin boots Beausoleil, assassin creepy-crawls through Hebron's Vale Beausoleil, there's no business like the devil's business Beausoleil, another martyr for the Noddy Apocalypse Beausoleil, que sera, sera Beausoleil, we want to sink into the deepest basin Beausoleil, fils de perdition, Luciferens Beausoleil, 7 and 7 is the hidden key Beausoleil, a train to Clarkesville in the menstrual night Beausoleil, Disneyland darkens with your Armageddon smile Beausoleil, sangs rGyas chos dang tsogs kyi mChog rNams la Beausoleil, you hide your candle on Golgotha's hill

Friday, May 11, 2007

PARA FERNANDO PESSOA


El diablo

no "Martinho da Arcada"

a beber "Macieira"


é sexta-feira

os boatos ladram

e a caravana passa


prima Vera em destroços

chá e torradas

na "Brasileira"


Dionisos palhaços

instintos à solta

é o rocker e a batida

é o singer e a velinha

é o poeta e a alvorada

o catarro e a bebedeira

nos olhos da menina

chuva de pérolas


são só rosas, senhora,

com amêndoa amarga

é pró menino e prá menina

é o "special one" e a vagina

estendidos na avenida

na rua na calçada

rua do Ouro Augusta

no Douro na queca

que dispara...


Indio

cães de raiva

irmãs e àguias

a natureza

à minha mesa

Nietzsche

mulher que chega

rock que paga


do not cross

not the cross

beatnick

beat

beat

it's all over

my warrior king.

Thursday, May 10, 2007

MALDOROR, MEU AMOR


Maldoror,

meu amor,

as damas

recolhem a casa

e a rua fica nua e tua

Maldoror

meu amor

dá-me a tua dor

que eu quero ficar

junto a ti

quero a Só e a Mi

quero tudo e mais nada

no fim da noitada

na cidade em decorrada


A. Pedro Ribeiro.

GOD AND SATIN


"Me & My God" de Paul Satele:


My God & I are one & the same,

We have the same face

we have the same name.

We share the same body

and have the one mind.

My God is my life,

& my life is divine.

No idols I worship,

no gods madeby man,

My God I've created,

his strength in my hand.

My God and I are one & the same,

I am my God & my God has my name.

Wednesday, May 9, 2007

FACADAS NA MORAL


Poemas -> Droga - Droga - Poemas e Cartas - Luso-Poemas
Saloon exibicionista estoirar bar aberto canção tiro aos bonecos aos mortos aos matrecos ... aos rotos às facadas na moral! A. Pedro Ribeiro, Braga, 2010. ...www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?storytopic=33 - 75k -

ALL IN BLACK

YouTube - Ribeiro na Pulga.
António Pedro Ribeiro lê "Saloon", na apresentação do livro com o mesmo nome, na livraria Pulga, no Porto, ... -você é jornalista, faça-me uma entrevista. ...www.youtube.com/watch?v=dQvedusXtao - 80k - Em cache - Páginas semelhantes

Monday, May 7, 2007

MALDOROR E OS MÃO MORTA



Entrevista com os Mão Morta: Novos cantos


Davide Pinheiro

O novo espectáculo dos Mão Morta estreia já na próxima sexta-feira. Maldoror é adaptado da obra «Cantos de Maldoror» de Lautreamont e dá sequência a uma ideia já antiga mas que só agora se concretizou. Adolfo Luxúria Canibal desvendou alguns segredos sobre o que se vai passar no palco do Theatro Circo.
«Maldoror» resulta de uma ideia antiga nunca colocada em prática. Por outro lado, Adolfo Luxúria Canibal nunca deixou de se referir a «Cantos de Maldoror» como o seu livro preferido. O útil juntou-se ao agradável.«Era uma ideia antiga do Miguel Pedro. Já para a Expo 98 tínhamos feito uma proposta de apresentar um espectáculo não sobre o livro mas sobre uma estrofe do livro. Na altura, não foi aceite. Eu opunha-me porque achava que era um trabalho para lá da nossa envergadura. Entretanto, acabei por me deixar levar por esta loucura. É uma obra de uma dimensão extraordinária. Da nossa parte, primeiro passámos a obra para a música. Depois foi um trabalho de composição e finalmente montámos o espectáculo.»
Em 1997, os Mão Morta trabalharam textos do dramaturgo alemão Heiner Muller a convite de Jorge Silva Melo. O espectáculo foi apresentado no Centro Cultural de Belém e, mais tarde, em variados teatros do país. Que semelhanças esperar?« Os dois espectáculos têm alguma coisa em comum porque têm uma envolvência cénica muito forte. Na altura, não trabalhámos com um encenador. Trabalhámos os textos do Muller. Aqui, a música dá leitura aos textos e o contrário também. Há uma interferência maior das duas linguagens. No Muller havia pequenas peças que depois narrámos. Aqui pegámos num todo formado por pedaços, esboços de histórias que não chegam ao fim e desse todo retiramos partes ainda mais pequenas mas dando no resultado final a impressão desse livro. O espectáculo não procurou a narração mas sim a fragmentação. A encenação do Muller era nossa. Aqui achámos que não tinhamos capacidade para fazer esse trabalho porque ultrapassava as nossas competências.»
A estreia de Maldoror dá-se em casa, isto é, em Braga (cidade natal dos Mão Morta), no reactivado Theatro Circo. Todavia, há planos para levar o espectáculo a outros teatros do país.« O Muller estreou em Lisboa porque foi co-produzido pelo CCB; este foi o mesmo com o Theatro Circo que reabriu recentemente. Eles convidaram-nos mas chegámos à conclusão que não o conseguiríamos ter pronto em Outubro, depois no fim do ano, e em Fevereiro. Só o conseguimos ter pronto agora em Maio. A estreia em Braga tem a ver com o facto de quem nos produz ser o Theatro Circo. A ideia é haver uma itinerância. Na altura em que fizemos Muller havia poucos espaços, pelo país. Agora há mais e é mais fácil mas, neste momento, apenas Portalegre (dia 19 de Maio) está confirmado. As outras datas estão apenas previstas para 2008, nomeadamente Lisboa, Porto e Coimbra.»
Com a facilidade que a tecnologia oferece em termos de gravação, Maldoror será, inevitavelmente registado para a posteridade tal como «Muller no Hotel Hessischer Hof» foi. A edição não está, no entanto, garantida.A ideia é filmar os espectáculos tal como fizemos com o Muller. Aqui vamos filmar o ensaio geral e os dois primeiros concertos. Consoante o resultado depos veremos. Não é igual a nada do que fizemos mas é imediatamente reconhecivel. Há uma ou outra canção. Há repetições, melodias e desenvolvimentos diferentes. A electrónica tem algum peso como tem sempre mas em grande parte dos temas há uma presença que serve de base. Eu apresento-me com um registo spoken word com gritos esporádicos.


in DIÁRIO DIGITAL

Sunday, May 6, 2007

THE LION TAKES THE QUEEN


Sinal ancestral


o rugido do leão

afugenta as serpentes


as crianças regressam à floresta


a rainha distingue a linguagem dos sonhos


and the lion takes the queen.


A. Pedro Ribeiro.

QuO Vadis


Olhos em fogo

mamas no café

olhos em fogo

cruzes que tu és


mago

bandido

artista sem medo

fazes-te ao palco

o mundo a teus pés


olhos em fogo

caídos à mesa

e agora quem és?


o que é que a fêmea

quer de ti

rocker bailarino

cavaleiro das Highlands?


o que é que a besta

quer de ti?

Quem és tu,

Dionisos,

Prior de Byron?


A. Pedro Ribeiro, 6 maio 2007.


Saturday, May 5, 2007

A CANTIGA É UMA ARMA


A cantiga é uma armaeu não sabiatudo depende da balae da pontariaTudo depende da raivae da alegriaa cantiga é uma armae eu não sabia
Há quem cante por interessehá quem cante por cantare há quem faça profissãode combater a cantare há quem cante de pantufasp'ra não perder o lugar
O faduncho choradinhode tavernas e salõessemeia só desalentomisticismo e ilusõescanto mole em letra duranunca fez revoluções(...)O Grupo de Acção Cultural (GAC) iniciou as suas actividades em 1974, logo a seguir ao 25 de Abril. No seu início o GAC era um projecto musical que envolvia nomes como José Mário Branco, José Afonso, Fausto, Adriano Correia de Oliveira e mesmo José Niza e Manuel Alegre.O que se pretendia com este grupo era apoiar as greves e outras manifestações que despontavam como cogumelos.
Em 1975 dá-se a separação definitiva das águas , ficando o GAC como um projecto ligado ou muito próximo da UDP, constituído por um grupo de vozes que giram à volta do principal impulsionador e mentor José Mário Branco.
Por esta época chegou a haver o GAC Norte e o GAC Sul e o grupo chegou a realizar 3 sessões ( como se chamavam os concertos) durante um só dia.
Do GAC faziam parte nomes como Afonso Dias, João Lisboa ( actual crítico do "Expresso"), Carlos Guerreiro,Rui Vaz ( actuais membros dos Gaiteiros de Lisboa) e Nuno Ribeiro da Silva ( que foi secretário de Estado num dos governos de Cavaco Silva).
O grupo concorre ao Festival RTP da canção com o tema "Alerta" e editará muitos outros singles , tais como "A Cantiga É Uma Arma" ou " A Ronda do Soldadinho". Estes singles serão , posteriormente, reunidos num LP intitulado "A Cantiga É Uma Arma".
Com o 25 de Novembro, os ânimos políticos arrefecem e o grupo começa a iniciar uma nova fase que passa pela recolha de temas tradicionais , recriados com novas letras da autoria do grupo ou com originais muito próximos da música tradicional. Tal é o caso do LP " Pois Canté!", editado em 1976.
Este é um disco fundamental para a compreensão de todo o fenómeno posterior de recriação da música tradicional, feita por grupos como Raízes, Brigada Victor Jara, Vai de Roda, etc.
Este trabalho faz, aliás, parte das obras que o jornal "Público", numa votação dos seus críticos musicais , considerou como dos melhores de sempre da música portuguesa.
José Mário abandona o grupo ( que mantém a designação GAC- Vozes na Luta) para se dedicar à militância política e ao teatro.O GAC editará ainda mais 2 LP's " Vira Bom" e "Ronda da Alegria" , na linha do anterior " Pois Canté!", recriando a música tradicional portuguesa.Em 1978 desaparecia um dos mais importantes grupos de música portuguesa, que contribuiu de firma decisiva (embora , por vezes, não se dê conta disso) para o desenvolvimento de uma estética musical baseada na criatividade e na inovação.Este último texto foi retirado de:http://www.novaguarda.pt/241199/g_opi1.htm
posted by viriato @ 4.5.07



Friday, May 4, 2007

FOREVER

and all the children are insane
waiting for the summer rain...

Monday, April 30, 2007

ZEUS


Eu sei. Haverá um dia em que Zeus, humilde, será soberbo, subirá no verbo e dará o coração.

FUCK FUCK FUCK


revolução heterodoxa

fuck fuck fuck

nietzsche+marx+bakunine+guevara

quien eres, tio?

lights & sandes

coños de mierda

angie

where pretty women talk

Friday, April 27, 2007

SURREALISMOS



From :
Rompendo as amarras
Sent :
Friday, April 27, 2007 5:11 PM
Subject :
O MOVIMENTO SURREALISTA - Gilberto Lourenço Farias - 4º período, campus Nova Friburgo






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O MOVIMENTO SURREALISTA - Gilberto Lourenço Farias - 4º período, campus Nova Friburgo

"A melhor coisa que se pode fazer, no campo da metafísica, quem não é sábio ou santo, é estudar as obras dos que o foram e que, por haverem modificado o seu modo de ser, meramente humano, foram capazes de uma qualidade e de uma soma de conhecimentos mais do que meramente humanos." (Aldous Huxley, A filosofia perene)
"A imaginação está talvez a ponto de retomar seus direitos."
(André Breton)
"Os órgãos mais filosóficos do homem são as mandíbulas."
(Salvador Dalí)
"O homem está condenado à liberdade."
(Jean-Paul Sartre)
"Acabo por achar sagrada a desordem do meu espírito."
(Rimbaud)
"Não creio que o Surrealismo seja um movimento muito conhecido no Brasil..."
Eu também não creio. Na verdade, tenho dúvidas sobre as coisas e/ou movimentos que sejam muito conhecidos no Brasil. Nossa História dá exemplos significativos disso. A própria "proclamação da república brasileira" é um excelente modelo de referência de desconhecimento ou ignorância mesmo das coisas, quando o nosso povo assistiu bestializado, atônito e surpreso aquele evento da "proclamação". Sem conhecer o que aquilo representava verdadeiramente, pensando que se tratava mais de uma parada, um desfile militar em plena praça... Uma prova significativa e incontestável de que movimentos, fatos, coisas, etc., não são mesmo "muito conhecido no Brasil". De maneira que, lamentável e assustador, é esta "situação estapafúrdia", esquisita, esdrúxula, excêntrica, patética e faltando-me adjetivos: SURREALISTA MESMO do Brasil não ter conhecimento de nada, muito menos povo, mas público para o teatro que se encena sobre o seu chão diariamente, desde a chegada de Cabral. Faz-se necessário, aqui, abrir um parêntese para o mérito do existencialismo de Kierkegaard, que já nos alertava para os perigos da sociedade urbana moderna que viria a transformar o homem em "público", em "instância coletiva"... Então, de certa forma, olhando as coisas dessa maneira, tudo aqui no Brasil é contexto surrealista. Mas sem relação, agora, com outras situações estapafúrdias adicionadas com toques de ironia ou de desprezo como diz o autor. Sem deslocamentos de adjetivos, sem assassinato do sentido original por mera ignorância. Refiro-me a um contexto surrealista não estapafúrdio, não aquele distorcido pela burrice. Mas sim ao original, encarnado na personalidade Dalíniana. Um contexto genuinamente surrealista onde se encerram dois pólos antagônicos: o da luz e o da sombra. O primeiro, "alegre, ferozmente analítico e estrutural"; o segundo "morbidamente triste, cinza, imóvel", nas palavras do mestre. Então vamos, seguindo os passos de André Breton, contemplar esta paisagem brasileiramente surrealista para constatar que as árvores não estão plantadas no chão, mas no céu, e que "o Surrealismo jamais separou teoria e prática e a 'práxis surrealista', o seu entusiasmo, foram seus principais motores." Antecedentes do movimento
Tomando-se por referência o final da Belle Époque francesa, começa a surgir um movimento que passa a refletir o niilismo de uma nova geração marcada e destroçada pelos horrores da Primeira Guerra mundial (1914-1918). A figura de André Breton surge neste novo cenário funesto para condenar a hipocrisia da sociedade e de seus valores morais, do cristianismo, do conjunto de idéias nacionalistas. Breton, na verdade, reproduziu o discurso de Nietzsche, que já se antecipara na anunciação do inferno humano, clamando aos sete ventos que Deus havia morrido... Ao lado de Breton, os poetas Pierre Reverdy e Paul Valéry também trouxeram seus ânimos para o engendramento daquilo que viria a ser conhecido como movimento Dadaísta, que teve sua inspiração nas idéias e versos de Rimbaud. A partir de 1916, este movimento é levado para Zurique, através do poeta romeno Tristan Tzara, atraindo outros poetas e pintores, que se refugiaram no paraíso neutro da Suíça enquanto a carnificina dos campos de batalha da velha Europa seguia seu curso.

"A primeira noite dada apresentou um manifesto e números de música, dança, poesia e pintura. A reação do público foi de horror. (...) As poesias constituíam conjuntos de sons desprovidos de sentido, a música era feita de ruídos e as obras dos artistas plásticos foram expostas apenas para provocar uma reação de espanto nos espectadores e, normalmente, eram destruídas em cena."
"O que estamos celebrando é ao mesmo tempo uma cena bufa e uma missa de réquiem."
O manifesto dadaísta clamava pela ruptura entre arte e lógica buscando caminhos e possibilidades para a liberdade ampla e irrestrita de toda a forma de expressão, e encontrou na França um "apoio mais formalizado". Encontramos, assim, no espírito dadaísta – em sua anarquia e loucura generalizada, em seu desejo de desmistificar as manifestações artísticas, destruindo a imagem do artista "ornamento da boa sociedade" – os antecedentes de uma nova concepção voltada também para a continuidade do desprezo aos valores tradicionais da sociedade humana, todavia, agora, através de uma linguagem capaz de expressar de maneira significativa a condição do homem neste cenário absurdo de sua própria existência. Breton, já mais amadurecido, começa a pensar num outro tipo de movimento, mais tangível do que a mera negação pela negação. De maneira que, do corpo agonizante do dadaísmo, surge as primeiras manifestações daquilo que se poderia considerar o nascimento do Surrealismo, considerado o movimento mais significativo e controverso do período entre guerras, espalhou-se pelos principais recantos do mundo ocidental influenciando várias gerações.
Sob os escombros da realidade – A busca incessante de uma poesia mais densa
O surrealismo pretendia explorar a força criativa do subconsciente, valorizando um anti-racionalismo, a livre associação dos pensamentos, da imaginação, dos sonhos, da clarividência, norteado pelas teorias psicanalíticas de Freud, cujas descobertas e aprofundamentos neste campo encanta os primeiros surrealistas, principalmente Breton.
"Os trabalhos de Freud relativos aos sonhos e sua teoria do inconsciente forneceram material de extrema importância para a estruturação do movimento surrealista".O Manifesto do Surrealismo
"O maravilhoso é sempre belo, qualquer maravilhoso é belo, que seja belo somente o maravilhoso". (André Breton)
"O Manifesto do Surrealismo só vai aparecer em 1924, mas as bases e práticas surrealistas já haviam sido lançadas." Incorporado ao fantasma do Dadaísmo, recebeu deste "a vitalidade e a ousadia, que contribuíram para a definição do caminho..." Sua primeira manifestação ocorre em 1924 com a divulgação do panfleto "Um cadáver", que fez referência à morte de Anatole France, Nobel de literatura e cujo "estilo límpido e ceticismo consagrado tornaram-se um alvo perfeito para este manifesto. Numa linguagem violenta, afirmavam que acabava de morrer um pouco da servilidade humana". Já na época da elaboração deste manifesto, Breton era visto como mentor do grupo. O termo "Surrealismo" foi tomado do prólogo da peça Les mamelles de Tiresias, de Apollinaire, resumindo-se nas seguintes posições:
• Crítica à realidade e à razão, que se opunham às certezas da infância, da loucura e da imaginação. A palavra-chave neste contexto é "desrealização", referindo-se à uma concepção de arte não mais "mimética", e que se recusava em simplesmente copiar de maneira ingênua e acanhada a "realidade empírica" seguindo, assim, de certa maneira, os passos do cubismo e do expressionismo, correntes que também deixaram de visar a reprodução mais ou menos "fiel" desta mesma "realidade", ilusória e destoante da verdadeira aparência de um mundo absurdo. Nesta linha de raciocínio, podemos compreender, sem fugir do universo surrealista, que passamos por momentos de importância conjunta na Arte: o ser humano, na pintura moderna, é dissociado ou "reduzido" na visão do cubismo; deformado no expressionismo e eliminado no não-figurativo. Enfim, tudo a ver...
• Louvor às descobertas de Freud, no campo psicanalítico e com atenção particular ao fenômeno dos sonhos.
"É fato conhecido que os surrealistas desprezavam o romance; apenas o romance gótico alcança o 'domínio do maravilhoso', pois, segundo Breton, ele não é fantástico, o fantástico é que ele é real."É a expressão de um sentimento diante da vida ou mesmo de uma atitude espiritual que renegava ou pelo menos colocava em dúvida a visão do mundo que se desenvolveu e se solidificou a partir do Renascimento.
"Basta de jogos de palavras, de artifícios de sintaxe, de malabarismos formais, precisamos encontrar – agora – a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma Lei, uma prisão, senão um guia para o espírito perdido em seu próprio labirinto." (Antonin Artaud – Carta aos Reitores)
"Uma vontade latente de subversão." (La Révolution Surréaliste)
"Ainda em 1924, aparece La Révolution Surréaliste, primeira revista do movimento, dirigida por Péret e Pierre Naville. O grupo de Breton sabe perfeitamente contra o que está lutando: contra a alienação da sociedade, contra a aceitação dos valores pátria, família, religião, trabalho e honra."
A finalidade da Revolução Surrealista, enquanto publicação, era o estabelecimento de uma nova Constituinte, "uma nova declaração dos direitos do homem". Não apenas para o cidadão europeu, mas para toda a humanidade. Constituição alicerçada no niilismo que predominava no pensamento de seus idealizadores. Fazia-se necessário acender as luzes dos "grandes faróis do Surrealismo: a poesia, o amor e a liberdade", para dissipar as trevas de um mundo arruinado em seus valores humanos, morais e sociais. Uma nova reconstrução de valores que permitiria ressuscitar a emoção, o sentimento, a criatividade e principalmente a liberdade incondicionada do espírito assassinado pela trama social e suas leis degeneradas, sua cultura estreita e sua moral hipócrita e vazia do sopro místico.
Artaud e o "ardor insurrecional"
Sob a direção de Antonin Artaud, foi criado um Bureau de pesquisas surrealistas destinado a recolher qualquer tipo de comunicação sobre as formas que podem tomar as atividades inconscientes do espírito. Foi ele responsável pela publicação de textos coletivos de "ardor insurrecional". "Abrir as prisões, licenciar o exército".
"Senhores: as leis, os costumes, concedem-lhes o direito de medir o espírito. Esta jurisdição soberana e terrível. Não nos façam rir." [Artaud – Cartas aos médicos-chefes dos asilos de loucos]
O domínio da linguagem
A indomável personalidade de Artaud, envolta numa alquimia de incompreensível misticismo inquietou ou enciumou Breton, que decide tomar as rédeas da Revolução Surrealista, "impondo preponderância aos domínios da linguagem", que deve passar – segundo o seu pensamento – para o "primeiro plano". A partir de 1925, durante um período de exaltação surrealista, novos simpatizantes entram em cena, como: Jacques e Pierre Prévert, Yves Tanguy e Marcel Duhamel, que abrem as portas do hermético endereço da Rue du Château. "O não-conformismo absoluto, a irreverência total e também o melhor bom humor reinavam aí..." Humano, demasiado humano – Nietzsche
"Na Rue du Château todos eram apaixonados por jazz, cinema, passeios noturnos, jogos coletivos, conversas e brincadeiras intermináveis."
A falta de "produção" literária surrealista por parte de Jacques Prévert e Queneau, e mais: a inclinação dos mesmos para visões mais populares, onde criariam obras magníficas, e Duhamel, após uma experiência no cinema e teatro, tomará a frente na direção da primeira grande coleção de romances policiais, a Série Noire São acontecimentos interpretados por Breton como um "início de vulgarização do movimento". Em 1926, Pierre Naville abandona o grupo para se integrar ao comunismo, tentando, ainda, convencer os companheiros a "deixarem as brincadeiras idealistas" para se tornarem militantes do partido, em seus destinos humanos...
"A legítima defesa"
"As experiências interiores não devem ser controladas de fora, nem mesmo pelo marxismo." (André Breton)A terceira publicação de La Révolution Surréaliste
"Somos teus mui fiéis servidores, oh Grande Lama! Concede-nos, envia-nos tua luz numa linguagem que nossos contaminados espíritos europeus possam compreender." (Antonin Artaud)
A atração pelo Oriente e o misticismo cada vez mais incorporado levaram Artaud a publicar, no número 3 da Revolução Surrealista, uma carta ao Dalai Lama, revelando-se seu "discípulo" seu "mui fiel servidor".
Acusado de manter atividades "jornalísticas e teatrais", perseguindo isoladamente "a estúpida aventura literária", Artaud defende-se com o texto "O blefe surrealista", reafirmando que o Surrealismo tem sua essência na magia e que a adesão dos outros integrantes ao comunismo, incluindo Breton, conduziu o movimento à morte.
"A liberdade do espírito deve passar pela liberdade social do homem."
É necessário que o indivíduo encontre o caminho livre, por assim dizer, para fazer a sua interpretação pessoal e solitária da própria vida. Em 1925, Breton tem contato com as idéias de Trotski sobre Lênin. Dois anos depois, ao lado de Péret, Aragon, Éluard e Pierre Unik engajam-se no partido comunista, voltados para o questionamento da atividade revolucionária.
"Nada pode justificar a miséria de uma população sujeita aos interesses de uma classe social. Os surrealistas, todavia, entendem que a condição humana se coloca além da condição social. Para 'transformar o mundo', como Marx desejava, era preciso 'mudar a vida', segundo Rimbaud."
"Em que parte do meu corpo está meu nome? Diga-me, por que quero destruir sua odiosa morada." (Shakespeare)
Nós mesmos temos de decidir como queremos viver a partir do momento em que nos sentimos alienados, num contexto absurdo e condenados à maldita sociedade. O sentimento de estranheza diante do mundo, segundo Sartre, nos conduz a uma sensação de desespero, tédio, vazio e absurdidade.
"Para Breton e seus amigos, foi muito difícil aceitar 'o primado da matéria sobre o espírito' e dedicar-se à tarefa de lutar, prioritariamente, pela transformação social do mundo".
Chegamos, dessa maneira, a um impasse que conduziria ao fim do movimento, ou "ao fim de uma ilusão" nas palavras de Freud. Uma vez que para ser marxista não havia necessidade de pertencer ao Surrealismo. As vestimentas, agora, são vermelhas. Breton transforma-se num soldado do comunismo, e seu espírito está fragmentado... Num último desespero, tentará mostrar que sua força de combate situa-se em dois planos: o da poesia, afirmando que os poetas não seriam "inofensivos sonhadores", e estariam "dispostos a participar de debates revolucionários"; no outro, convencer aos militantes do partido comunista da "aberração que seria lutar por idéias sociais avançadas, conservando uma concepção retrógrada da arte".
"Digamos que o contato com o marxismo aguçou a consciência social dos surrealistas, mas, para alguns, não foi suficiente para obscurecer a visão da repressão stalinista."
Nadja, o arquétipo da mulher surrealista: o mistério fugidio da identidade
Apesar deste período ser marcado por uma grande instabilidade no âmago do movimento, devido às manifestações de caráter político e social, todavia não impediu a elaboração de obras consideradas fundamentais para a história do Surrealismo. É nesta época que Breton também se destaca editando sua obra mais famosa: Nadja. Nesse romance, Breton encontra aquela que será o arquétipo da mulher surrealista, que o surpreende com frases perturbadoras, visões e imagens bizarras. Próxima da clarividência e a um passo da loucura.
"- Quem é você? – Eu sou a alma errante." Responde Nadja.
O surrealismo foi definido por Breton como automatismo psíquico puro pelo qual se propõe expressar, através de qualquer tipo de comunicação e/ou expressão, o funcionamento real do pensamento, sem interferência ou controle da razão, sem preocupações estéticas ou repressões morais. Resumindo: a libertação do espírito e a exploração dos recônditos do mundo interior. Nadja é vista como a materialização mais representativa desse universo surrealista. Definida com "um gênio livre, algo como um desses espíritos do ar que certas práticas de magia permitem momentaneamente visualizar, mas jamais submeter." Sua presença é perturbadora do início ao fim, que nos mantém fixados no reino do incrível.
Possuindo uma liberdade inigualável, Nadja, atinge o ponto mais alto das aspirações surrealistas com sua forma de vida, entregue por completo aos ritmos interiores e intuitivos, desprendida do cárcere terreno. Pouco afeita aos aspectos práticos da existência, vive à mercê das ruas e dos acasos; nas fronteiras da loucura para onde caminha sem saber e confiante (terminando num asilo de loucos). Quanto a Breton, resta-lhe admitir: "Nunca estive à altura do que ela me propunha." Proposta interpretada vagamente por ele como um meio de "amor", "o único e indubitável amor, que não pode ser senão à prova de tudo".
"É possível que a vida peça para ser decifrada como um criptograma (...) pode-se conceber a grande aventura do espírito como uma viagem desse gênero ao paraíso dos ardis", pondera Breton. Em Nadja, encontra-se a atração pelo enigma e o mistério fugidio da identidade; questões inquietantes sobre o relacionamento entre o ser humano e o mundo, e os impasses, paradoxos, limites e perplexidades do próprio Breton e do Surrealismo.
O desejo de transmutação em direção ao "maravilhoso" – A procura da pedra filosofal: a poesia
Com a descoberta de Nadja, a imagem da mulher é alçada a uma condição especial de transcendência nos caminhos de busca surrealista, assim como a própria linguagem escrita, que vinha abrir as portas para o desvelamento do "outro lado das aparências". O acaso, o imprevisto, o inesperado seriam sinais para o caminho que se trilhava em direção ao mundo interior do espírito.
O final da década de 1920 ficou, assim, marcado por esse novo alento em busca dos segredos perenes da vida. O interesse pelos estudos da alquimia, do esoterismo, da magia e da descoberta da pedra filosofal, que proporcionariam a transmutação em direção ao "maravilhoso": essência e "pedra de toque da poesia".
"A poesia é, com efeito, a ponte que liga o mundo da realidade cotidiana e o mundo maravilhoso, e essa ponte é a única para quem deseja conservar a lucidez." (Philosophie du Surréalisme)
"É dessa fusão, dessa sensação de estranhamento, que brota a poesia. É o estranhamento (dépaysement) que faz os olhos se abrirem para a realidade absoluta". "Breton proclamava que devem existir observatórios do 'céu interior' que são, naturalmente, observatórios presentes na realidade." O Segundo Manifesto
"Tudo nos incita a pôr termo à visão de uma natureza não humana e de um homem não natural." (Serge Moscovici)Nos últimos anos da década de 1920, alguns artistas plásticos aderiram ao Surrealismo, entre eles: Miró e Picasso, este, todavia, sem adesão completa ao movimento, sendo a pintura e as imagens objetos de interesse permanente dos surrealistas. Este Segundo Manifesto foi publicado em 1929, na edição final de La Révolution Surréaliste. Nessa publicação, Breton, vê o momento oportuno para responder às críticas de seus ex-companheiros.
"Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito onde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo deixam de ser percebidos contraditoriamente. Ora, é em vão que se procuraria dar à atividade surrealista um outro móvel que não fosse a esperança de determinação desse ponto." (Breton, Manifestes)
Nessa afirmação, Breton confessa ter lançado mão do pensamento hegeliano, e também no esoterismo hebraico através de reflexões do Zohar, o Livro do Esplendor – uma obra cabalística do século XVIII que, na essência, é uma meditação a respeito do Velho Testamento. Todavia, Breton adverte que seria errôneo situá-lo como místico, uma vez que o único dogma aceito pelo Surrealismo é "a revolta absoluta, a insubmissão total".
"Breton também critica os comunistas e sua óptica estreita, que esquece deliberadamente as possibilidades do homem, ao colocar a ação social como prioritária. Ele insiste na postura revolucionária, da qual não pretende abrir mão (...) A própria prática surrealista é questionada; a negligência no uso da escrita automática, a acomodação, a vaidade, a falta de rigor e pureza em que muitos escorregaram ao optar pelo recurso automático, como se ele fosse uma simplificação do ato de escrever 'literariamente'."A visão hermética
"Este segundo manifesto abre espaços para pesquisas esotéricas, em particular para a figura do alquimista Nicolas Flamel. O Surrealismo também procura a pedra filosofal, que deveria dar à imaginação afogada pela moral de tantos séculos sua verdadeira desforra. A mensagem surrealista deve ser confrontada com a mensagem esotérica. Temendo a vulgarização do movimento, o exibicionismo para o público, o esquema de concessões ao mundo, Breton pede 'A OCULTAÇÃO PROFUNDA, VERDADEIRA DO SURREALISMO'."
Devido a esses ataques explícitos, um grupo insatisfeito resolve crucificar Breton, com direito a uma auréola e coroa de espinhos sobre sua cabeça. Junto a essa imagem, um panfleto irônico, intitulado "um cadáver". Assinam, entre outros, Vitrac, Limbour, Baron, Queneau, Prévert e Desnos. A revista La Révolution Surréaliste chega ao seu fim.
Novos clarões de imagens insólitas e desconexas
Em 1930-1933, é lançada uma nova revista intitulada Le Surréalisme Au Service De La Révolution – ASDLR. Nesta época, conta com a presença de Salvador Dalí, Luis Buñel, René Char e Georges Sadoul.
"Buñel e Dalí deram impulso ao cinema surrealista, cujo precursor, Man Ray, dirigira L'étoile de mer, Retour à la raison e Lês mystères du château de Ré, nos quais o elemento onírico é fundamental, além da preocupação com a fotografia, um dos títulos de glória de Ray. Dalí constitui um nome importante do movimento, não só pela participação como roteirista, mas, sobretudo, pela obra pictórica."
"Se, como proclamou Arthur Cravan, 'todo artista tem o sentido de provocação', é preciso reconhecer que ninguém levou esse gesto mais longe do que Dalí, tanto na arte como em sua pessoa." (Breton)
A década de 1930
Em 1930, Aragon e Georges Sadoul, após participarem de um Congresso de Escritores Revolucionários, na Rússia, assinaram um documento abrindo mão da plena liberdade de exploração e expressão artísticas, abrindo mão, na verdade, da "marca registrada do Surrealismo". Esse fato gerou controvérsias e conflitos que se arrastaram dentro do grupo por vários meses. Aragon permaneceu comprometido com o comunismo, e a partir de 1932 a repressão stalinista contribuiu decisivamente para o alargamento do abismo intransponível entre surrealistas e comunistas. Outro incidente ocorreu em 1935, durante o Congresso dos Escritores para a Defesa da Cultura, organizado por comunistas que impediram ao máximo a participação dos surrealistas. Esses conflitos ideológicos levaram Crevel ao suicídio. Em 1935, Tzara aderiu ao comunismo e, logo após foi a vez de Éluard, em 1938. A década de 1930 assinala a internacionalização do movimento, com a entrada, entre outros, de Octavio Paz escritor mexicano. Três grandes textos de Breton, desse período, evidenciam que a pesquisa da linguagem, um dos fundamentos do Surrealismo, não foi abandonada e que "a escrita automática é isenta de mácula na sua concepção. Com Les vases communicants, Breton mostra a conjunção de sonho e realidade, que são vasos comunicantes, um dos temas essenciais do movimento surrealista". L'immaculé conception, de 1930 e escrito em parceria com Paul Éluard, apresenta textos automáticos e simulações de delírios. Trata-se de um trabalho de recriação de certos estados mentais patológicos, tentando mostrar como é tênue a distinção entre saúde e doença mental. O terceiro texto, L'amour fou, publicado em 1937, narra o encontro de Breton e uma mulher em 1934, e seu passeio por Paris à noite. O maravilhoso resvala para a realidade: essa noite estava prefigurada num poema automático de 1932 – 'Tournesol'. Poucos meses depois, Breton casa-se com Jacqueline Lamba, 'a todo-poderosa orquestradora da noite do girassol'. L'amour fou apresenta também um texto básico para a compreensão do projeto estético do Surrealismo, isto é, a noção de beleza convulsiva:
"A beleza convulsiva será erótico-velada, explosiva-fixa, mágico-circunstancial ou não será." (L'amour fou, p. 26)
Em 1938, Breton encontra-se com Trotski, no México, e em conjunto escrevem: "Por uma arte revolucionária independente". Passando a admirador e defensor do pensamento trotskista, aprofundando, assim, as divergências entre surrealistas e comunistas. A organização da FIARI (Federação Internacional da Arte Revolucionária Independente), idealizada por Breton, deveria ter como lema a luta contra o nacionalismo, uma vez que trabalhadores e artistas não necessitavam de pátria. Mas o despontamento do nacionalismo alemão, às vésperas da Segunda Guerra, destruiu de vez o projeto.
Após a guerra: "Só dos verdadeiros poemas pode sair o sopro da liberdade."
Com a França ocupada pelos alemães durante o conflito bélico, o movimento surrealista foi desmobilizado. Alguns de seus integrantes foram presos enquanto que outros se aliaram à resistência. Masson, Ernst e Breton conseguiram embarcar para os Estados Unidos. Péret seguiu para o México.
Nos EUA, Breton e Marcel Duchamp organizam a Exposição Surrealista de Nova Iorque, em outubro de 1942, arrecadando fundos em favor dos prisioneiros franceses. A atividade surrealista, em solo americano, ganha força com novos adeptos e a criação da revista VVV, dirigida por Duchamp, Breton, David Hare e Max Ernest. Breton casa-se com Elisa e Ernest com a pintora Dorothea Tanning. Já no México, Péret casa-se com uma outra artista plástica: Remédios Varo. Em 1943, Péret envia aos amigos refugiados nos Estados Unidos, um texto sobre poesia, mito e revolução, que será batizado por La parole est à Péret. Breton escreveu Arcane 17 e Ode a Charles Fourier. Tanto Péret como Breton apaixonam-se pela arte dos diversos povos indígenas das Américas. É publicado, na França, um volume de poesias em honra à Resistência intitulado: "L'honneur des poètes" (A honra dos poetas). Péret respondeu com o texto "Lê déshonneur dês poetes" (A desonra dos poetas), posicionando-se contra a poesia de circunstância, de texto-receita de ladainhas, afirmando: "Só dos verdadeiros poemas pode sair o sopro da liberdade". Em 1942, Breton escreveu uma série de textos que foram editados em 1946 no livro Manifestes du Surréalisme. Contextando abertamente todas as ideologias e sistemas. Lamentava a morte de Freud e se preocupa com o futuro da psicanálise, que de instrumento de libertação poderia passar à opressora.
Últimas aventuras
"O homem é apenas um pequeno fragmento do cosmos."
Tzara, agora membro do partido comunista, guardou do surrealismo apenas suas possibilidades materiais de relação com a ação social revolucionária, banindo seus vislumbramento metafísico e transcendental. Essa mudança de atitude desencantou seus ex-companheiros que permaneciam fiéis à causa mística do movimento. Levando Breton e outros à investirem furiosamente contra ele durante uma conferência sobre o Surrealismo e o após-guerra que, Tzara, proferia na universidade de Sorbonne. A palavra-chave de ordem seria: traição.
"Por essa ocasião, inaugurou-se a Exposição Internacional do Surrealismo, organizada por Duchamp e Breton, para mostrar as aspirações de um mito novo e, naturalmente coletivo..."
Em 1948, é lançado um jornal surrealista: 'Néon', que contou com a participação de Breton, Péret, Hérold, a pintora tcheca Toyen, Hans Arp, Bellmer, Ernest, Matta, Lam, Miro e Man Ray. Nessa época, novos autores são convidados e recomendados pelos surrealistas.
"No início dos anos 50, foram incorporados ao movimento Robert Benayoum e Ado Kirou, ligados à revista L'Age du Cinema, e também Jean Schuster, Gilbert Legrand, Michel Zimbacca, Jean-louis Bédouin e Allain Jouffrey."
"Anthologie de l'humeur noir", de Breton, escrito em 1940 e proibido pela censura de Vichy, durante a ocupação alemã, foi reeditado. O humor negro, termo criado pelo próprio Breton, é o humor do risco, aquele que repele a sentimentalidade e a poesia banal."
"Em 1952 foi inaugurada a galeria L'Étoile Scellée, o seu nome mantém correspondência com a tradição da alquimia. Nesse ano, os surrealistas assistiram às conferências de René Alleau sobre os textos clássicos da tradição esotérica. Para ele, a manipulação dos metais e a evolução espiritual estabelecem entre si relações de identidade e não de mera analogia. Breton não estava interessado em saber se os livros do passado chegaram completos ou não aos nossos dias, mas sim que tipo de influência causaram em poetas como Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé, Jarry. Se o Surrealismo passou por esses autores, cruzou forçosamente com o esoterismo, procurando, nele, uma das fontes da poesia ..."
Verdadeiros criptogramas verbais: relicários do espírito infantil, contemplativo, que habita a alma da poesia
É fato que os poetas, em todas as épocas, foram os principais divulgadores do pensamento metafísico, da mística e do esoterismo. Utilizando-se de uma linguagem secreta, muitas vezes, para fugirem às perseguições ideológicas e religiosas. Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro... Essa linguagem especial e enigmática era, ao mesmo tempo, uma proteção contra a vulgarização ou mesmo um escudo contra a institucionalização de uma sensibilidade apropriada apenas aos que compreendiam o mecanismo existencial de uma maneira ímpar, apartado do modelo coletivo e cultural. As línguas do tronco cananeu, entre elas o árabe, o persa e o hebraico, por exemplo, em suas formas mais avançadas empregam raízes consonantais específicas para ocultar e revelar certos significados que são incompreensíveis à multidão de falantes comuns.
Nessa mesma linha de exemplificação, podemos nos reportar ao berço de nossa civilização ocidental, onde a deidade guardiã de Roma tinha um nome "incomunicável". Já em algumas regiões da Grécia antiga, os nomes sagrados dos deuses eram gravados em lâminas de chumbo que se lançavam nas profundezas do mar Adriático, com o fim de protegê-los contra a profanação. No campo das artes plásticas, algumas correntes passaram a interessar cada vez mais os surrealistas. Uma delas, art brut (conhecida no Brasil como arte do inscosciente), mereceu a criação, com Jean Dubuffet, da Compagnie e L'Art Brut,, encarregada de recolher exemplos de arte executada por pessoas isentas de cultura artística: loucos, reclusos, idosos, indivíduos para quem a arte é, essencialmente, uma livre expressão do inconsciente. Outra corrente, a arte gaulesa, é importante para o Surrealismo, ao explicitar sua própria riqueza, seus valores mágicos, o que reforça a proposta de ruptura com a tradição cultural grego-latina. Finalmente, a arte mágica, aquela que transmite a magia na qual foi concebida, como nos quadros de Hieronimus Bosche e nas gravuras alquímicas. Sobre o assunto, Breton e Gerard Legrand escreveram L'art magique, em 1975. O livro contém numerosos depoimentos de antropólogos, críticos, artistas plásticos e pesquisadores do esoterismo. O Surrealismo seria, no século XX, o mais digno representante da arte mágica, porque contém o 'condimento bizarro' (solicitado por Baudelaire), por que desafia o senso crítico, e seu imaginário, como nos antigos mitos, exige uma interpretação do Universo, uma integração do homem ao cosmos.
Novos jogos surrealistas foram inventados, talvez os mais requintados na história do grupo: Um no outro e Mapa de analogias. Os exemplos guardados indicam a proximidade dessa prática com a literatura; eles mostram com clareza a visão analógica do mundo, isto é, o próprio fundamento do Surrealismo. Saber jogar é conservar o espírito da infância, é ter os olhos limpos para a contemplação do Universo. Atividade coletiva, os jogos mantêm acesa a chama do grupo, abrem espaço para o lúdico, o acaso e a poesia."
Um único sobrevivente: "Seria o suicídio uma solução?"
Em 1945, Marx Ernst, que acompanhara o movimento surrealista desde o Primeiro Manifesto, aceitou a premiação da Bienal de Veneza sendo, por isso, expulso do grupo. O Surrealismo jamais aceitou ser encampado por iniciativas oficiais. Começa a surgir, a partir deste episódio, problemas mais graves de ordem pessoal entre seus integrantes. Tanguy morre em 1955, e em 59 Péret "o mais puro surrealista", segundo Breton. Logo depois, Dominguez e Paalen (artistas plásticos) e o poeta Jean-Pierre Duprey trilhavam o caminho do suicídio, fato que veio a marcar de maneira trágica os destinos do movimento. De seus principais fundadores, apenas Breton continuava sobrevivente. As novas reuniões mudam de endereço, localizando-se agora no café La Promenade de Vênus, com a participação de Joyce Mansour, Gilbert Legrand, José Pierre, Vincent Bounoure, Robert Benayoun, Radovan Ivsic, Jean Benoit, Jorge Camacho. Em 1961, o brasileiro Sérgio Lima apresentou, numa dessas reuniões, sua mostra de desenhos e aquarelas. Em Paris, duas grandes exposições temáticas são apresentadas: Eros (1959) e Desvio Absoluto (1965). Duchamp inaugurou, em Nova Iorque, no ano de 1960, a Surrealist Intrusion in the Enchanters' Domain.
O Surrealismo que não morre, em suas obras eternamente vivas
Ocorre uma divulgação do movimento em outros países da Europa, Portugal (1947). Na América Latina, surgem manifestações no Peru, México, Argentina, Colômbia e no Brasil (1962-64, por intermédio de Sérgio Lima). Como sempre, a cidade de São Paulo é a vitrine das novidades. Algumas obras publicadas nesse período: Piazzas e Paranóia (Roberto Piva, com fotos de Wesley Duke Lee); Amore (impresso litográfico com texto manuscrito, Sérgio Lima); Anotações para um apocalipse (Cláudio Willer). Paulo Antônio Paranaguá realizou o premiado e mais que esperado filme Nadja. De Paris, o próprio Breton passa a "supervisionar" a Exposição Surrealista de São Paulo, inaugurada em 1967, na Fundação Armando Álvares Penteado, contando com o apoio de Flávio de Carvalho e Maria Martins (artistas plásticos). A única edição de uma revista surrealista brasileira A PHALLA surge nesse mesmo ano (1967). Todavia, Breton não soube desse acontecimento, uma vez que já havia "partido", para sempre, em "busca do ouro do tempo". E não restava ninguém neste mundo que pudesse ou ousasse tomar o seu lugar. Em 1969, Jean Schuster assinou um documento dissolvendo o grupo. Permaneceu apenas o espírito surrealista, que continua em nosso mundo etéreo, incorpóreo, fantasmagórico, encarnado em suas obras "eternamente vivas". Referências bibliográficasBETTELHEIM, Bruno. Freud e a alma humana. São Paulo: Cultrix, 1997. BRETON, André. Nadja. Rio de Janeiro: Imago, 1990. CASTANEDA, Carlos. Uma estranha realidade. Rio de Janeiro: Record, 1988. DEVI, Indira e Dilip Kumar Roy. Peregrinos das estrelas. São Paulo: Cultrix, 1990. EDDÉ, Pere Emile. Byblos: Berceau de l'alphabet. Beyrouth: Dar Al-Kitab Al-lubnany, 1969. GUÉNON, René. O esoterismo de Dante. Lisboa: Vega, 1978. HUXLEY, Aldous. A filosofia perene. São Paulo: Cultrix, 1995. LIAÑO, Ignácio Gómez de. Dalí. Barcelona, Ediciones Polígrafa, 1982. NASR, Seyyd Hossein. Ensaios sobre la dimensión esotérica del Islam. Barcelona: Herder, 1985. RAIYD, Souhair. Al-tohra, entre a idolatria e a unidade divina (fontes sobre o "Zohar" ). Beyrouth: Dar Wu Al-Nafa'is, 1989. ROSENFELD, Anatol. Texto/ Contexto. São Paulo: Perspectiva, 1969. SIMPSON, Thomas Moro. Linguagem, realidade e significado. São Paulo: EDUSP, 1976. YATES, Francês A. Giordano Brno e a tradição hermética. São Paulo: Cultrix, 1993.

Thursday, April 26, 2007

LUCIFER


Sinais de fugo

vulcões

gentes que fogem

em fúria

outras que caem

ao Hades

is this the end, beautiful friend,

or just the beginning of the new age?


Devo desposar-te,

minha mulher,

ó eternidade?

ou devo combater,

meu comandante?


quando um homem

procura a solidão

e regressa á infância

que pode esse homem encontrar

senão a luz, senão a vingança?


Quem é esse homem

que vem do incêndio

da cidade eterna?

Quem é esse homem

no meio das mulheres

e das outras merdas?


Quem é este

que tu queres

e volta de madrugada

a cair de bêbado

atraiçoado

a arder no canto

a subir no verbo

na tua palavra


Lúcifer

anjo de Deus

anjo de Bosch

anjo deboche

rei guerreiro

rei querido

Hamlet em delírio

bruxas

feitiços

o que é que conta isso

diante de ti

homem livre

espírito que dança

em busca do Graal.


A. Pedro Ribeiro, 6.4.2007, Braga, Forum.

O PRÍNCIPE MALDITO



Enviado por caine em 16/04/2007 14:55:34 (21 leituras) Poemas deste autor

Vinde, Poeta necrotérico
sob a influência
Misantropa, deletéria da vida e da morte
Na dicotomia das inorgâncias ciências
Da dor e dos abismos da alma cujo forte
Chamado a amiga antiga transmite fluências
As artes necromantes de Mefistófeles.
Oh, Poeta deserdado no Templo de Baco,
Flor do vale da sombra na legião de Anjos Caídos.
Príncipe Maldito!
Vá a câmara do Faraó
E suscite vossas palavras ao presente
Da angústia e da dor.
Eis, tua face
Cujos vermes a, então, corroem em alusão
Às verdadeiras ilusões de um homem.
Vide, Poeta Misantropo das artes secretas,
As verdades íntimas do Dragão da Castidade
E o verme deletério e itinerário da Irmandade
Operando nas tarefas dos iconoclastas,
A ciência Negra como Érebo.
Vá, Poeta Maldito com suas pragas
Contaminando seus rios e tão mórbido
Veneno de que a alma se enche.V
á, Cavaleiro da Meia-Noite sob os sóis dos herméticos
E com a euforia de Mil Serpentes.
E vá aos calabouços da alma revelar as sementes.

Davys Sousa(Caine)

Monday, April 23, 2007

WHISKY A GO GO




Whisky ou Whiskey ?
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GLOSSARIO--- SCOTCH--- A forma abreviada como eh conhecido o whisky escoces.--- BLENDED--- Combinacaoo de varios tios de malt whisky e uma porcao menor de grain whisky, que torna a bebida mais leve.--- BOURBON E TENNESSEE--- Tipico dos Estados Unidos, o bourbon eh elaborado com um minimo de 51 por cento de milho. O Tennessee eh a mesma bebida, mas como nao eh produzido no Kentucky nao usa a denominacao Bourbon.--- GRAIN WHISKY--- Feito a base de qualquer cereal,--- quase sempre milho o grain whisky eh destilado em alambiques continuos, diferente tecnicamente daqueles usados para a destilacao do malt whisky. Desse processo surge um liquido com maior graduacao alcoolica e sem muita personalidade. Tambem eh envelhecido em barris de carvalho por, no minimo, tres anos.--- MALT WHISKY--- Para chegar ao malte, os graos de cevada sao moidos e o amido transforma-se em maltose. Essa substancia fermenta e deixa surgir o alcool, que eh redestilado para eliminacao das impurezas. Tal produto ainda nao eh considerado malt whisky. Para ganhar essa classificacao, eh preciso que o malte envelheCAa no minimo tres anos em barris de carvalho. Muitas vezes esses barris serviam para armazenar bourbon ou sherry, o que da um sabor especial a bebida.--- RYE--- De origem norte-americana, este whiskey eh composto de 51% de centeio. Tambem eh conhecido como Canadian Whisky.--- ENVELHECIMENTO--- Tempo em que o destilado passa em barris de carvalho para concentrar o sabor e aroma. Alem disso, nesse periodo, ele adquire aquela coloracao amarela do whisky. Algumas pessoas acreditam que quanto maior o tempo de envelhecimento, melhor a qualidade do destilado.--- TURFA--- Um tipo de vegetal usado na secagem do grao da cevada. Da um sabor bem caracteristico ao malte. GRADUACA ALCOOLICA--- A quantidade de alcool existente na bebida: quanto mais alta a graduacao, mais forte ela eh. ON THE ROCKS--- Quando o drink eh servido com pedras de gelo.--- HISTORIA--- IRLAND OU ESCOCIA ?--- Alguns acreditam que no seculo 12 a Irlanda ja dominava a arte de destilar o malte. Outros atribuem a descoberta aos escoceses, pois a primeira e universalmente reconhecida mencao sobre a destilacao do malte aparece nos Anais do Tesouro Escoces, em 1494. La esta registrado que Frei John Carr recebeu 48 medidas de malte para produzir aquae vitae ou usquebaugh, palavra galica que significa agua da vida. Discussão a parte, uma coisa eh certa: o whisky eh a bebida nacional da Escocia e seu cartao de visita. Whisky mesmo, se escoces, pois quando produzido fora da Escocia, nao pode receber esse nome. A bebida produzida nos Estados Unidos e Irlanda, segue em linhas gerais o mesmo processo de fabricacao e leva o nome de whiskey. O whisky verdadeiro eh um destilado turfado, que se produz a partir de graos de cevada secos através de fumaça aromatizante e que sao envelhecidos no minimo durante 3 anos.--- OS BLENDS--- A causa da descoberta, como quase sempre acontece, foi a propria necessidade. Andrew Uner, filho de um velho destilador, descobriu que era possivel suavizar o forte malt whisky acrescentando um pouco de insipido destilado de cereal. Pronto, estava aberto o caminho para o desenvolvimento do scotch como hoje se conhece, um blended whisky, mistura de varios tipos de malt whisky e grain whisky, um destilado feito de cereal. Ao mesmo tempo, se montava o cenario para os grandes misterios com que as estilarias envolvem seus produtos ate hoje. Tudo gira em torno da seguinte questao: como chegar ao blended ideal? Cada destilaria guarda seu segredo a sete chaves. Eh praticamente impossível desvenda-lo, pois alguns surgem da combinacao de ate 50 malt whisky diferentes e outros tantos de grain whisky, que sao exportados para o mundo inteiro e nao sao poucos os fieis apreciadores da bebida. Para garantir tal preferencia, os escoceses sao rigorosos. Por exemplo, todos sabem que eh muito importante o envelhecimento do whisky em barris de carvalho, as vezes por mais de 20 anos. Afinal, eh por causa desse envelhecimento que o malt whisky adquire sua personalidade definitiva, absorvendo todo o aroma da madeira e ganhando aquela coloracao amarela: quanto mais envelhecido, melhor o resultado. A certeza de que isso realmente acontece pode ser comprovada por um detalhe curioso. Cada barril possui duas chaves, uma fica com o destilador e a outra eh do fiscal encarregado de supervisionar o tempo de permanência do liquido no deposito. A bebida so pode ser misturada e engarrafada se cumprir o prazo estipulado, pois ela nao continua seu processo de envelhecimento, depois de passar as garrafas.

Tuesday, April 17, 2007

THE KING OF THE JUNGLE


AO PRIMEIRO






02. Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro . A. Pedro Ribeiro


Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertárion.º na colecção: 2data de edição: Fevereiro de 2006ISBN: 972–8983–05-0n.º de págs: 56pvp. 8,075€ + iva = 8,50€
No passado ano de 2005 A. Pedro Ribeiro (Porto, 1968) manifestou-se contra tudo e contra todos, chegando a alardiar uma candidatura à Presidência da República para abanar consciências e reclamar lugar para a liberdade mais absoluta. Estabelecendo uma relação com a poesia equivalente à do militar com seu arsenal e estratégias, o autor faz da palavra uma arma inesgotável e vê no capitalismo o inimigo público número um. Politicamente incorrecto, A. Pedro Ribeiro com o seu manifesto incondicional é ainda um artista, conferindo aos textos um espaço de acção que a arte solidifica e ratifica. Realidade ou encenação, A. Pedro Ribeiro é tanto personagem dos seus escritos quanto a sociedade contemporânea que retrata. Para doer ou divergir, esta é a expressão de ruptura de quem, há meses atrás (Julho de 2005), publicou o seguinte «Manifesto dos 37»:«Aos 37 anos, José Mário Branco escreveu o “FMI”. Aos 37 anos, apetece-me dizer com os situacionistas que “nada queremos de um mundo no qual a garantia de não morrer de fome se troca pelo risco de morrer de tédio” (Raoul Vaneigem, A Arte de Viver para a Geração Nova).Apetece-me dizer com André Breton que “a ideia de revolução é a melhor e mais eficaz salvaguarda do individuo” (“La Révolution Surrealiste”, nº4). Apetece-me estar com a subversão. Com a crítica radical à ditadura do consumível, da mercadoria, do quantitativo, do défice. Apetece-me estar do lado da liberdade, da liberdade absoluta contra a ilusão da liberdade de compra e venda, da sobrevivência, da “sobrevida” que substitui a vida, do quotidiano insuportável, do tédio.Apetece-me estar com os poetas malditos. Com Rimbaud, com Baudelaire, com Nietzsche, com Sade, com Lautréamont a infernizar tudo quanto é direitinho, conforme às normas, castração.Apetece-me estar contra todas as formas de autoridade, opressão e dominação.Apetece-me estar do lado da rebelião.Apetece-me dizer que já pouco acredito nos partidos, mesmo nos de esquerda. Que lutar por lugares dentro da democracia burguesa é aceitar como irreversível a democracia burguesa e, portanto, afastar totalmente do horizonte a revolução, mesmo que se continue a falar na construção da sociedade socialista. E não há transições pacíficas para o socialismo. Como escreve António José Forte (António José Forte, Uma Faca nos Dentes):”Que diálogo pode haver entre o condenado à morte e o carrasco que o conduz ao patíbulo?”.Apetece-me dizer que acredito na poesia e no amor como formas sub-versivas. Que acredito em actos provocatórios, em agitações espontâneas que ridicularizem o instituído, no terrorismo poético. Que a criatividade é o último reduto da rebelião.»