Friday, October 3, 2008

O JOGO


As minhas sessões de poesia estão a tornar-se num misto de comício, happening e ritual xamânico e profético. Pretendo eliminar as fronteiras entre o performer e o espectador, provocar o choque, influenciar as consciências, provocar o riso, ridicularizar, inclusivé insultar o público. Tenho consciência de que estou a jogar um jogo, mas é o meu jogo não é o jogo do capitalismo nem do Estado. É o meu jogo. Só entra nele quem quer. Dou-vos a liberdade. A Liberdade Absoluta. Eu tenho saído várias vezes do jogo deles. Como dizia o Jim: estás a meio de uma partida de futebol para a Liga dos Campeões e há uma dessas vedetas que dá um pontapé displicente na bola para fora, sem que ninguém o espere, sem haver substituições, abandona o relvado. O estádio inteiro levanta-se: "Eh pá, o gajo é doido! Ponham na rua esse palhaço imbecil!" E, no entanto, o gajo só queria dizer: isto não passa de um jogo, andamos a correr como imbecis atrás da bola, se ainda fosse atrás de uma mulher...toda a gente, colegas de equipa inclusivé, o insulta, todos o rejeitam da mesma forma que os homens da caverna de Platão ("Alegoria da Caverna") rejeitam o homem que foi capaz de sair da caverna e de ver a luz: também lhe chamam doido, utópico, fantasista quando ele regressa à caverna para contar o que viu no exterior. É esse o preço que temos de pagar quando abandonamos o jogo: a solidão, a imensa solidão: "Solitário, abandona a multidão, segue o caminho que conduz a ti mesmo", dizia Nietzsche. É aí que quero chegar. É aí que temos de chegar. Depois, sim, voltaremos à cidade, à multidão, mais sábios mas correndo ainda todos os riscos.

1 comment:

fazer cantar um cego zarolho das lunetas said...

anda vem ver a luz... A LUZ VERDADEIRA que ilumina e que queima até a alma...Ela está dentro da Biblia...mas muitos olham e estãocegos e não veem nada outros de verem tanto até cegam...com o brilho da verdade verdadeira...outros ficam num canto ou "escondidos na caverna" e veem de vez em quando uns raios reflugentes... apenas Xamã não é suficiente !!! Não basta sentir a Natureza e a Criação.. o que todos queremos é ver e ouvir a VOZ DO CRIADOR...mesmo que tal não mereçamos.